Artista destrói barcos em performance-protesto no Palais de Tokyo

Áudio 07:54
Héctor Zamora diante dos barcos que serão destruídos durante sua performance-protesto.
Héctor Zamora diante dos barcos que serão destruídos durante sua performance-protesto. RFI

Ordem e Progresso. Este é o nome da performance do artista mexicano Héctor Zamora, que colocou cinco barcos em um imenso espaço bruto no museu Palais de Tokyo, em Paris. Seu objetivo é destruí-los lentamente durante 10 dias, derrubando assim o mito da esperança representada pela navegação e denunciando a crise dos imigrantes.

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Héctor Zamora é conhecido por suas ações em espaços públicos, sempre marcadas por uma dimensão sócio-política aliada ao aspecto arquitetônico. Ele já fez intervenções no Brasil, Cuba, Colômbia e Índia, além de exposições permanentes e em Bienais de várias cidades do mundo.

"Ordem e Progresso" ultrapassa a divisa da bandeira do Brasil. "O título desse trabalho vem da frase que ornamenta a esfera celeste da bandeira brasileira. Na verdade, esta frase resume a do filósofo Auguste Comte no positivismo: 'O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por objetivo'."

Existe uma real fratura entre o nome da performance e o que vai acontecer no seu tempo de duração, ou seja, a destruição não tem nenhuma relação com o positivismo. Como explica o artista, "a destruição dos barcos não tem por finalidade a construção ou o desenvolvimento de novos cenários econômicos, políticos e sociais. Trata-se principalmente de destruir as promessas contidas nos barcos, seja no contexto da França, da Europa, o problema da migração, afinal, o barco se tornou um símbolo do que está acontecendo aqui. Atualmente, esse é um momento bastante crítico em que o mundo todo pode se questionar se essa ordem e esse progresso nos levou a algo positivo", diz Héctor.

Esta performance tem uma dose de violência, diz Héctor Zamora

Inaugurada em 4 de maio, a ação de Zamora vai até o dia 14. Nesse período, 11 funcionários vão trabalhar na destruição dos barcos, um por um, servindo-se somente de ferramentas manuais como martelos, machados, chaves etc, sem nenhuma interferência elétrica. "Como os próprios barcos foram construídos com as mãos, vou fazer o processo inverso: com as próprias mãos vou deixar os barcos em pedaços no chão", explica o artista, reconhecendo o aspecto violento da proposta: " Esse trabalho é agressivo porque para quebrar um barco desses é preciso ter força", conclui.

Zamora veio a Paris apoiado pelo projeto de mecenato da Sam Art Projects, que defende a divulgação de artistas contemporâneos de países fora da Europa e Estados Unidos, assim como artistas franceses que queiram realizar um projeto em outro país.

"Ordem e Progresso" - de Héctor Zamora, pode ser vista no Palais de Tokyo, em Paris, de 4 a 14 de maio de 2016.

 

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