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Arte é espaço de luta contra intolerância, diz fotógrafo Joaquim Paiva

Áudio 06:35
Obra de Joaquim Paiva é exposta em museu parisiense.
Obra de Joaquim Paiva é exposta em museu parisiense. RFI
Por: Silvano Mendes

O trabalho do fotógrafo brasileiro Joaquim Paiva é tema da exposição "Photo Instantanée, Souvenirs de Brasília", em cartaz até 28 de agosto em Paris. A mostra, apresentada na Maison Européenne de la Photographie, uma das principais instituições especializadas em fotografia na Europa, faz parte da Saison Brésilienne (Temporada Brasileira), que traz uma seleção de obras do carioca Celso Brandão, do paulista Vik Muniz e do francês Marcel Gautherot.

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As fotografias de Paiva escolhidas pelo museu trazem imagens de Brasília logo após a criação da capital federal. Mas ao contrário de colegas que se detinham à proeza arquitetônica do local, ele ampliou seu foco para os arredores do projeto de Oscar Niemeyer e Lucio Costa e na vida das população, em um trabalho de humanização da arquitetura cerebral da cidade, para retomar a expressão usada pelo curador da mostra, Alban de la Fontaine.

“O que me interessava era essa cidade paralela à cidade sede do governo, símbolo de um ideal arquitetônico. Queria fotografar as pessoas, as fachadas, e a aparência das cidades-satélites, que tinham muita vida e muito dinamismo”, explica Paiva. Razão pela qual, na contramão dos demais fotógrafos que capturaram as imagens históricas de Brasília, sempre em preto e branco, ele preferiu usar cores.

Além de fotógrafo, Paiva é dono de uma das maiores coleções privadas de fotografia no Brasil, composta por obras realizadas por nomes consagrados vindos do mundo todo, como Diane Arbus, Pierre Verger ou Ansel Adams. Parte destas fotos estão depositadas em comodato no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. “Como colecionador, o que me interessa é o comprometimento do artista, a beleza das imagens e os temas contundentes que eu acho que o fotógrafo deve abordar em sua obra. Pois eu acho que a fotografia e a arte têm de ser um espaço de liberdade e de luta constante contra a intolerância.”
 

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