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Cultura

Museu des Confluences, em Lyon: uma confluência de rios, culturas e saberes

Áudio 05:49
Vista do Museu des Confluences, em Lyon.
Vista do Museu des Confluences, em Lyon. Quentin Lafont
Por: Daniella Franco
13 min

Inaugurado em dezembro de 2014, o Museu des Confluences, na cidade de Lyon, vem se consolidando como o principal espaço cultural da região sudeste da França e um dos mais importantes do país. Localizado na confluência de dois rios, o Rhône e o Saône, como sugere seu próprio nome, o espaço em si já é uma obra de arte monumental, um projeto arquitetônico assinado pelo austríaco Wolf D. Prix. Com 27 mil metros quadrados, o museu tem o objetivo de ser um local de compreensão do mundo e do ser humano e de fusão de disciplinas e conhecimentos nas áreas da arqueologia, astronomia, filosofia, ciências humanas e sociais.

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Ao todo, o acervo do Museu des Confluences conta com mais de 2 milhões e 200 mil peças, entre fósseis de animais pré-históricos, objetos de tribos indígenas, uma múmia da época pré-colombiana, armaduras de samurais, meteoritos e até um pedacinho da lua.

O diretor científico do espaço, Bruno Jacomy, explicou à RFI que a forma escolhida para apresentar todas essas preciosidades também é especial. “Tentamos nos organizar partindo das preocupações de nosso público, de dúvidas ou perguntas que eles mesmos se fazem: de onde viemos? Como se constituiu a sociedade onde vivemos? O que acontece depois que morremos? E, então, criamos exposições que tentam responder a essas perguntas”, diz.

As exposições permanentes, distribuídas em 3 mil metros quadrados, têm a proposta de contar a história da humanidade em quatro espaços diferentes, que descrevem e apresentam a questão das origens e do destino da humanidade, a diversidade das culturas e civilizações e o espaço do homem no universo. Quatro temáticas que dialogam entre si: "Origens, os relatos do mundo", "Sociedades: o teatro dos homens", "Espécies: o tecido dos seres vivos" e "Eternidades: as visões do além".

Nessa proposta de intersecção de disciplinas, é que está a verdadeira confluência do espaço, ressalta Jacomy. "No nome ‘Museu des Confluences’ consideramos o encontro dos dois rios onde está localizado o espaço. Mas a palavra "confluência" também é a forma através da qual queremos mostrar as disciplinas, as culturas, a história da humanidade... É uma maneira mais global de conceber um museu e de mostrar a história do homem através de múltiplos olhares", reitera.

Um novo museu com uma antiga história

Apesar de ter sido inaugurado em 2014, a história do Museu des Confluences é antiga. As peças começaram a ser colecionadas no século XVII, às quais se adicionaram objetos do antigo escritório de curiosidades de Emile Guimet, um colecionador nascido em 1836 em Lyon, que fez a volta ao mundo em busca de seus tesouros.

Outros objetos datam do período colonial francês ; muitos deles foram trazidos por missionários franceses que eram enviados a vários cantos do mundo. Um antigo museu em Lyon abrigava essas coleções, mas passou por problemas de conservação, de onde surgiu a ideia de criação de um novo espaço, nos anos 2000. 

Até a criação do museu des Confluences, a região do espaço não era nem mesmo frequentada. Só no primeiro ano de abertura, o local recebeu 823 mil visitantes.

Segundo a assessora de imprensa do museu, Claire-Cécile David, o espaço também serve como um ponto de encontro dos lyoneses. “O museu, com seus jardins públicos de 2 hectares e meio, oferece também essa ‘confluência’ ao público. A Unesco elogiou esse acesso que damos aos habitantes deste patrimônio”, ressalta.

Dentro do museu, o hall de entrada, chamado de Cristal, é gratuitamente acessível a todos e funciona como uma praça pública. A luz natural que entra através dos vitrais evidencia a beleza da arquitetura do museu. As exposições, a partir do primeiro andar do museu, ficam em um espaço chamado "Nuvem". No topo do prédio, a 40 metros de altura, a escolha do nome do espaço é justificada. De lá, o visitante pode ter uma bela vista panorâmica da cidade.

Exposições temporárias

Além das exposições permanentes, o museu des Confluences realiza mostras temporárias. Até abril de 2017, está em cartaz a exposição "A seus pés", sobre a história dos sapatos. Já "Antártida", sobre uma excursão ao continente gelado que deu origem ao documentário "Entre o Gelo e a Terra", do diretor francês Luc Jacquet, fica em cartaz até o dia 31 de dezembro.

“Minha primeira terra”, sobre a utilização da terra e o comportamento dela em construções, encerra-se no dia 17 de julho. “No quarto das maravilhas”, com a reprodução de um gabinete de curiosidades de 800 peças, fica em cartaz até dia 31 de julho.

O Museu des Confluences abre de terça a domingo e a entrada custa € 9 (€ 5 para os frequentadores de 18 a 25 anos).

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