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Cultura

Artista escandinavo brinca com espelhos em Versalhes

Áudio 06:30
O escandinavo Olafur Eliasson expõe em Versalhes até 30 de outubro.
O escandinavo Olafur Eliasson expõe em Versalhes até 30 de outubro. RFI
Por: Patricia Moribe

O Castelo de Versalhes convida neste verão europeu o artista escandinavo Olafur Eliasson para interagir com o palácio e seus jardins infinitos. Conhecido por seu interesse pela óptica, com espelhos, água e caleidoscópios, o artista se insere agora nos domínios reais de Luís 14, o Rei Sol.

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O primeiro encontro do visitante de Versalhes com Eliasson é no fim da majestosa Galeria dos Espelhos. O fausto do rococó contrasta com um jogo de espelhos redondos, que hipnotiza o público. Outros espelhos redondos aparecem ao longo do trajeto. Nos jardins, o artista ergueu um gigantesco chafariz, destoando da delicadeza rebuscada das fontes do local.

Desde 2008, o Chateau de Versailles convida um artista para expor no local. O primeiro foi o kitsch do americano Jeff Koons. No ano passado, uma obra apelidada de “vagina da rainha”, do britânico Anish Kapoor, virou polêmica por ter sido pichada por vândalos.

Olafur Eliasson é autor de instalações hipnóticas.
Olafur Eliasson é autor de instalações hipnóticas. presse.chateauversailles.fr/

Olafur Eliasson fala sobre expor em Versalhes:

“Achei incrível a ideia de fazer parte da história fabulosa deste local. Não me concentrei tanto na ideia do rei, ou da revolução, para mim era muito mais a questão da viagem pelo tempo que Versalhes atravessou para nos encontrar aqui hoje. Acho que Versalhes também está viajando, assim como eu vim de Berlim até Versalhes. Versalhes viajou trezentos anos para me encontrar, para me dar as boas-vindas, para recepcionar a minha exposição. É um grande encontro entre Versalhes, eu e o público, claro. “

A seguir, o artista relata seu processo de criação:

“Tive a sorte de poder vir várias vezes. Algumas vezes vim muito cedo, antes do público chegar. Também passei uma noite aqui, com todas as luzes apagadas. E com uma lanterna eu iluminava só o que me interessava. É tanta coisa para ver que você simplesmente pode ficar indefeso diante de tanta opulência de ouro e espelhos. Mas, com uma lanterna, você pode criar um túnel onde só se vê o que é preciso ver.”

As instalações não deixam ninguém indiferente. O turista Marcos, de São Paulo, aprovou: “Achei de muito valor. É bonito você ver obras clássicas, mas tem gente que não gosta tanto. Acho que estamos evoluindo para um caminho em que, quanto mais misturarmos, melhor. As pessoas vêm aqui para ver coisas antigas e acabam descobrindo obras novas. Esteticamente fica muito bonita a mistura dos dois”.

Eliasson provoca estranhamento e choque

Mas tem também quem não gosta tanto, como a brasileira Andréa: “Senti um estranhamento, de ver algo fora do normal, fora do que eu estava esperando. Foi um choque. Eu preferia ter visto só as coisas originais”.
Olafur Eliasson, 49 anos, nasceu na Dinamarca, passou boa parte da infância na Islândia e vive hoje em Berlim. Ele tem obras expostas no mundo todo. Aqui em Paris, a Fundação Louis Vuitton encomendou ao artista uma instalação permanente, “Inside the Horizon” (Dentro do Horizonte), que mistura espelhos d’água, colunas, cores e luzes, sempre explorando a percepção visual e sensorial.

Em 2011, ele expôs na Pinacoteca de São Paulo e também foi tema de um documentário do cineasta brasileiro Karim Ainouz, “Domingo”, disponível em DVD. Durante a COP 21, no ano passado, Eliasson produziu “Ice Watch”, uma obra efêmera, com doze gigantescos blocos de gelo colocados no Panteão – o derretimento das peças era um alerta contra o aquecimento global.

A exposição de Olafur Eliasson fica em cartaz no Castelo de Versalhes até o dia 30 de outubro.

"Waterfall", obra do artista dinamarquês Olafur Eliasson, em Versalhes.
"Waterfall", obra do artista dinamarquês Olafur Eliasson, em Versalhes. © 2016 Olafur Eliasson

 

 

 

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