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Linha Direta

Cinema português supera brasileiro no Festival de Locarno

Áudio 06:32
Cartaz da edição de 2016 do festival suíço.
Cartaz da edição de 2016 do festival suíço.
Por: RFI
11 min

Começa nesta quarta-feira (3), na Suíça, o Festival Internacional de Cinema de Locarno, classificado como o quarto no ranking dos festivais de filmes, depois Cannes, Veneza e Berlim. O Brasil só está presente nas mostras paralelas.

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Rui Martins, em Locarno para a RFI

Uma vez por ano, a pequena cidade ao lado do lago Maior se transforma e a grande atração noturna é a projeção de filmes ao ar livre num telão de 300 metros quadrados, com imagem nítida, para cerca de 8 mil pessoas sentadas em cadeiras que ocupam toda a Piazza Grande, a maior praça da cidade.

Nesta edição, a seleção não propõe nenhum filme brasileiro nas competições. O diretor do festival, o italiano Carlo Chatrian, justificou essa ausência dizendo "não haver uma preocupação geográfica na seleção dos filmes". A comissão de selecionadores escolhe os filmes à medida que mostram ser bons, seja qual for o país. Segundo Chatrian, não há cota para países e nem para cineastas masculinos e femininos.

O diretor evitou dizer claramente que não há filmes brasileiros porque o cinema brasileiro já não é dos melhores. Porém, ao falar dos 13 filmes portugueses no festival, ele ressaltou que "o cinema português está na sua melhor fase". A declaração pode ser uma pista sobre o futuro vencedor do Leopardo de Ouro.

Na falta de filmes, o festival convidou um produtor brasileiro para o júri da competição internacional. Trata-se de Rodrigo Teixeira, jovem na profissão mas já com alguns filmes de sucesso de bilheteria no Brasil, como "Cheiro do Ralo", "Alemão", "A Bruxa" e o filme americano de Noah Baumbach, "Frances Ha". Teixeira, de 38 anos, é bastante ligado ao cinema americano e há rumores de que vai produzir filmes com o cineasta Martin Scorcese.

Júlio Bressane mostra "O Beduíno" em mostra paralela

Ausente das competições oficiais, o Brasil está presente nas mostras paralelas. Locarno gosta de Júlio Bressane, cineasta dos chamados filmes de autor, e propõe "O Beduíno" na mostra paralela Sinais de Vida, onde são exibidos só filmes de arte. Este é o terceiro ano consecutivo que Bressane participa do festival.

Outro filme brasileiro que será exibido em Locarno, na mostra paralela História do Cinema, é o documentário-ficção sobre Jean-Claude Bernardet, teórico de cinema, crítico cinematográfico, cineasta e escritor brasileiro. Nascido na Bélgica, de família francesa, Bernardet passou a infância em Paris, mas vive em São Paulo desde seus 13 anos. "A Destruição de Bernardet", realizado por Claudia Priscilla e Pedro Marques, tem produção de Kiko Goifman.

O gaúcho Licínio Azevedo, que foi para Maputo aos 24 anos e acabou se tornando moçambicano, vai mostrar no dia 10, no telão de 300 metros quadrados, a adaptação de seu livro "O Comboio de Sal e Açúcar", escrito há 15 anos. Azevedo é dono da Ébano Multimídia e tem uma longa história no cinema. Ele rodou diversas obras, ganhou prêmios, trabalhou com Ruy Guerra e Godard, escreveu livros e roteiros. O filme ainda é inédito, mas é definido como um western africano que conta a história de mulheres moçambicanas que tomavam trens antigos, passavam pelas regiões em conflito em plena guerra civil, para trocar pacotes de sal contra pacotes de açúcar.

Curta do iraniano Abbas Kiarostami

Entre os muitos filmes em exibição este ano, existe uma pérola rara, um dos últimos trabalhos do iraniano Abbas Kiarostami, morto em julho. Em janeiro e fevereiro deste ano, ele esteve na Escola de Cinema e TV de Havana, dando um curso para os alunos. Desse projeto surgiram seis curtas-metragens de alunos e um do próprio Kiarostami, que serão exibidos em Locarno.

Outros destaques do festival são os filmes de Ken Loach, "I, Daniel Blake", com Jane Birkin, Palma de Ouro em Cannes; um com Jean Ziegler, o suíço pioneiro na luta contra o segredo bancário; e um filme francês sobre o desvio violento e bárbaro dos islamitas, "O Céu Esperará", da jovem cineasta Marie Castille Schaar.

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