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Cultura

Paris exibe arte abstrata do americano Cy Twombly

«Quattro Stagioni: Primavera, Estate, Autunno, Inverno», 1993-1995, de Cy Twombly.
«Quattro Stagioni: Primavera, Estate, Autunno, Inverno», 1993-1995, de Cy Twombly. Siegfried Forster / RFI
Por: Patricia Moribe

O americano Cy Twombly, um dos maiores nomes do expressionismo abstrato da arte contemporânea americana, é tema de uma retrospectiva no Centro Georges Pompidou, o Beaubourg, em Paris, até 24 de abril de 2017.

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A mostra parisiense reúne 60 anos de trabalho em 140 pinturas gigantes, esculturas, desenhos e fotografias, a partir dos anos 1950 até uma tela inacabada. Twombly morreu em 2011, em Roma, aos 83 anos, cidade onde ele vivia há décadas.

Nascido na Virginia, Cy Twombly chegou em Manhattan em 1950, no auge da Escola de Nova York, com representantes como Jackson Pollock e Willem de Kooning. Ele frequentou também a universidade experimental de Black Mountain College, na Carolina do Norte, um refúgio de vanguardas que deixou marcas na criação cultural do século 20. Twombly teve aulas, por exemplo, com o músico John Cage. Viagens pela África do Norte e Europa, onde acabou se instalando, também influenciaram o trabalho do artista.

Construção e desconstrução da pintura

Artista difícil de definir Twombly estava sempre à procura de novas formas de expressão. “Eu acho que ele descontruiu a pintura para depois reconstrui-la. Cy Twombly era alguém que trabalhava a longo termo, sempre mantendo reservas, como combustível para uma grande viagem. Acho que ele previu que viveria e trabalharia durante um longo período e assim trabalhou até a morte”, diz o curador Jonas Storsve.

Nos primeiros tempos, Twombly pesquisou o gestual da caligrafia e as relações entre palavras e imagens. A palavra escrita, letras, garranchos se misturam nas imagens e texturas. A retrospectiva vai dessa fase gráfica e da escrita, passando por sua resposta à arte minimalista e conceitual dos anos 1970, até suas últimas pinturas. “No leito de morte, ele começou a ter alucinações e pedia pincéis. Ele pensava que as cortinas do quarto eram telas dispostas para suas pinturas”, conta Jonas Storsve.

Um beijo de amor

Em 2007, durante uma exposição em Avigon, no sul da França, uma visitante, de nacionalidade cambojana, lascou um beijo em uma tela de Twombly, deixando marcas de batom numa obra de € 2 milhões. Ela foi condenada a uma multa de 1500 euros e cem horas de serviço comunitário. “Um ato de amor e um ato artístico”, disse a infratora. Mas Twombly declarou que ficou “horrorizado”.

Em Paris, as reações do público parecem mais comportadas. Marie, aposentada, explica por que veio ver a exposição, acompanhada do marido: “É um artista que já conhecíamos, então a ideia de uma grande retrospectiva nos animou a vir, para apreciar o que ele fez – os diferentes períodos, as fotografias, ou seja, o conjunto de sua obra”.

O marido Marc, também aposentado diz o que achou da exposição: “Não gosto de tudo. Não gosto do aspecto um pouco ‘grafite’, de garranchos, se posso dizer assim. Mas quando há cores, as pinturas, eu gosto muito, são muito fortes”.

 

 

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