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Rodrigo Nassif, músico: "Existe uma generosidade bonita no digital"

Áudio 06:44
O violonista Rodrigo Nassif fala sobre sua obra musical na RFI Brasil
O violonista Rodrigo Nassif fala sobre sua obra musical na RFI Brasil RFI
Por: Leticia Constant
10 min

O violonista gaúcho Rodrigo Nassif acaba de se apresentar na Inglaterra com seu quarteto, formado com Carlos Ezael, Samuel Cibils e Leandro Schirmer. Considerado um dos músicos mais talentosos de sua geração, Rodrigo é hoje uma referência na paisagem da música instrumental no Brasil. Com seu grupo, ele lançou dois discos "Todos os dias de outono" e "Mar de dentro", elogiados por unanimidade pela crítica. De passagem por Paris, onde veio divulgar seu trabalho, ele conversou com a RFI Brasil.

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Apaixonado por música, Rodrigo se interessou primeiro em tocar contrabaixo, depois tentou a guitarra e acabou definitivamente atraído pelo violão e pelas possibilidades que o instrumento oferece para o artista se auto-acompanhar. O que rege sua criatividade é a obsessão pelos arranjos das composições. "Alguns arranjos se apresentam muito rapidamente, eu tenho essa busca seríssima pela função estética da música. Então, quando os arranjos são com o quarteto, várias vezes os guris levam para caminhos totalmente diferentes dos que eu tinha trazido. Eu aprendi com o tempo que quanto maior a diferença, mais rico fica o arranjo, e com uma paleta de cores cada vez maior e mais bonita", revela o artista, satisfeito em constatar que ele e os outros músicos estão se compreendendo tão bem que a cooperação ultrapassa o entrosamento. " Nessa altura do campeonato já é telepático, é uma metalinguagem como a gente está se entendendo nos ensaios".

O rigor é a palavra de ordem do grupo, "que para os padrões brasileiros ensaia mais do que a média", conta Rodrigo, afirmando que eles têm a filosofia de fazer cada concerto como se fosse o mais importante de todos.

Estilo que ultrapassa o clássico, o instrumental...

Um fato interessante é que os dois discos do quarteto foram incluídos nas listas de melhores álbuns do ano, inclusive na lista de música pop, rompendo, de certa forma, o espaço fechado do estilo puramente instrumental. Como Rodrigo explica esse fenômeno? " A única ideia antecipada em relação às músicas do quarteto é da gente perseguir a originalidade estética. O ponto de corte das composições é quando estão muito parecidas com alguma coisa, o meu motivo para fazer esse corte é ter achado um encadeamento harmônico que não me lembra nada (...) Eu também acredito que o elemento mais orgânico de todos é o ritmo, e esse é o elemento que eu persigo para deixá-lo espontâneo", explica Rodrigo.

Os discos "Todos os dias de outono" e "Mar de dentro" ficaram em primeiro lugar nas paradas digitais. " Existe uma generosidade muito bonita no digital, qualquer pessoa que tiver interesse em ouvir, a gente mostra para ela o endereço, ela chega em casa e escuta", reflete o compositor, reconhecendo que os direitos autorais sempre foram um problema complexo para os autores. "Antes, os músicos se queixavam que as gravadoras acabavam ficando com uma boa parte do direito autoral e, hoje em dia, quem fica com a maior parte é a distribuidora digital", explica.

Uma coisa é certa: Rodrigo Nassif e seu quarteto estão felizes pela aceitação surpreendente que seu trabalho vem recebendo no Brasil e em outros países como Estados Unidos, Inglaterra, Itália e Suíça.

 

 

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