Documentário/Paris

Documentário de João Moreira Salles é premiado em Paris

Imagem de "No Intenso Agora", de João Moreira Salles.
Imagem de "No Intenso Agora", de João Moreira Salles. DR

O documentário “No Intenso Agora”, de João Moreira Salles, recebeu vários prêmios no Festival do Real, que terminou em Paris, neste domingo (2). Apesar de uma greve de parte de funcionários que já dura uma semana no Centro Pompidou, as sessões aconteceram em salas nas proximidades.

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O Grande Prêmio do Cinema do Real, que privilegia o documentário autoral, ficou com “Maman Colonelle”, de Dieudo Hamadi (República Democrática do Congo/França), sobre a violência contra mulheres e crianças na RDC. Os brasileiros “No Intenso Agora” e “Martírio” (Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tatiana Almeida) também disputavam o prêmio principal.

Mas “No Intenso Agora” levou o Prêmio Internacional da Scam, Prêmio das Bibliotecas e Prêmio de Melhor Música Original, do compositor português Rodrigo Leão.

Um ano inesquecível

“No Intenso Agora” é uma viagem interior, delicada e íntima de João Moreira Salles, na qual ele assiste/analisa/destrincha filmes amadores feitos por ou com sua mãe, em 1968, principalmente. A partir dessa data chave, quando inclusive a família Moreira Salles vivia em Paris, o documentarista faz um viés por momentos que marcaram o mundo nesse ano, como a revolta estudantil e operária em Paris, a ocupação soviética de Praga e a morte do estudante Edson Luís pela ditadura militar no Brasil.

Ele comenta os acontecimentos da época, apoiado em filmes de arquivo ou outros documentários clássicos, como “Le Joli Mai”, de Chris Marker, e “Morrer aos 30 anos”, de Romain Goupil, para ilustrar a turbulência da capital francesa e a ascensão de um jovem líder estudantil, Daniel Cohn-Bendit. Mas ele sempre volta às imagens da marcante viagem da mãe à China, ou de cenas domésticas, e sutilmente pincela a tristeza materna nos 20 anos seguintes, sem evocar diretamente a sua morte por suicídio.

Homenagem a Andrea Tonacci

O Festival do Real organizou uma rara retrospectiva do cineasta ítalo-brasileiro Andrea Tonacci, que morreu no ano passado. Muitas vezes rotulado de representante do cinema marginal, Tonacci era difícil de ser classificado. Seus últimos trabalhos eram voltados à causa indígena, como “Serras da Desordem”, que em 2006 levou os prêmios de melhor filme, direção e fotografia em Gramado.

Greve no Pompidou

O Centro Pompidou é um dos museus mais frequentados da França – são mais de três milhões de visitas por ano. Uma parte dos funcionários protesta contra mudanças no estatuto que vigora há 40 anos, desde a inauguração do Beaubourg, como também é conhecido.

Cada dia de greve representa uma perda de entre 15 mil e 18 mil visitantes, incluindo os que frequentam a biblioteca do museu. O Centro Pompidou foi o único grande museu parisiense cujo número de visitantes aumentou em 2016 (+9%), frente às quedas registradas pelo Louvre (-15%) e Orsay (-13%), mais afetados pelo impacto dos atentados jihadistas que deixaram 238 mortos e centenas de feridos na França desde 2015.

Na segunda-feira (3), os funcionários em greve vão decidir se continuam o movimento.
 

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