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RFI Convida

“Muitas pessoas achavam que mulheres só eram capazes de pintar florzinhas ou eram as namoradas dos grafiteiros”, diz street artist Panmela Castro

Áudio 07:13
A street artist carioca Panmela Castro, diante de seu grafitti, no Museu Stedelijk, em Amsterdã.
A street artist carioca Panmela Castro, diante de seu grafitti, no Museu Stedelijk, em Amsterdã. Daniella Franco/RFI
Por: Daniella Franco
11 min

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o RFI Convida conversou com a street artist Panmela Castro: ativista, empreendedora cultural e promotora de arte urbana. A brasileira foi a artista escolhida pelo festival feminista holandês Mama Cash para ilustrar a fachada do Museu Stedelijk, em Amsterdã, um dos espaços mais importantes de arte moderna na Europa.

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Daniella Franco, enviada especial a Amsterdã

O trabalho da artista urbana Panmela Castro se concentra na representação do corpo e da estética da mulher, sem rótulos. Para a carioca, recusar certos conceitos impostos pela sociedade é uma forma até mesmo de combater a violência contra a mulher.

“Nem toda a mulher é feminina. Eu mesma tenho muitas características que são consideradas masculinas. Quando falamos da nossa emancipação, é justamente para aceitar quem somos. Muitas vezes, a violência contra a mulher acontece porque pessoas não aceitam a forma como queremos ser: consideram que aquilo não é ser mulher. Temos quer pensar que ser mulher pode ser qualquer coisa que a gente realmente queira ser”, afirma.

Para ilustrar a fachada do Museu Stedelijk, em Amsterdã, Panmela Castro elaborou um grafitti dentro da ideia da “dororidade”, conceito criado pela professora e feminista brasileira Vilma Piedade.

“A pintura é a imagem de duas mulheres ligadas pelos cabelos e pelas ideias, falando sobre a união política delas, como a sororidade. Mas aqui eu uso a ‘dororidade’, conceito da Vilma Piedade que fala sobre esse apoio mútuo e união das mulheres, mas a partir da dor que se sofre pelo machismo e pelo racismo”, explica.

Homenagem à Marielle Franco

A ilustração da fachada do Museu Stedelijk também é uma homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro. Para encerrar a pintura - acompanhada por dezenas de frequentadores do espaço e participantes do festival feminista Mama Cash - a street artist escolheu a frase: “um ano sem respostas”.

“O objetivo é falar sobre a investigação da morte de Marielle Franco, que no dia 14 de março completa um ano. Então, estamos celebrando o 8 de Março, mas também pedindo respostas sobre essa mulher importante no Brasil, que defendeu nossos direitos e nossa liberdade”, diz.

Uma luta que Panmela também encarna e vive em seu dia a dia de artista. “Nascer mulher nesse mundo é um ato político. São tantas barreiras a serem enfrentadas que muitas de nós não conseguimos identificar sempre que somos vítimas de machismo e preconceito. Por exemplo, no grafitti, quando eu comecei, muitas pessoas achavam que mulher só era capaz de pintar florzinhas ou eram as namoradas dos grafiteiros.”

Com o intuito de combater esses preconceitos, a carioca criou a Rede Nami, uma ONG que milita pelo fim da violência contra a mulher e fomenta o protagonismo feminino nas artes. “Quem não quer apertar uma lata de spray? Eu uso essa ferramenta e essa metodologia para atrair as mulheres. Quando elas chegam, a gente pinta e faz grafitti sim. Porém, antes, a gente fala sobre os nossos direitos.”

Para Panmela Castro, as mulheres merecem “os melhores muros” do mundo. “Eu sempre gritei bem alto e falei que queria o melhor muro para mim. E hoje estou aqui na Europa, pintando no Museu Stedelijk, mostrando para todo mundo que nós, mulheres, merecemos sim ocupar os melhores espaços e os espaços de poder”, salienta.

Intervenção da artista carioca Panmela Castro no museu Stedelijk, em Amsterdã.
Intervenção da artista carioca Panmela Castro no museu Stedelijk, em Amsterdã. Daniella Franco/RFI

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