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Artista brasileira Teresa Poester expõe na Galeria Umcebo em Paris

Áudio 07:41
A artista brasileira Teresa Poester.
A artista brasileira Teresa Poester. RFI/Élcio Ramalho
Por: Márcia Bechara

A artista plástica Teresa Poester, gaúcha com longa tradição em desenho e pintura, se consacra agora a pesquisas experimentais sobre a fusão de diferentes linguagens artísticas. Poester, que mistura em seu trabalho suportes e técnicas variados, estreia em Paris na Galeria Umcebo a exposição La Nature du Geste, ou A Natureza do Gesto, em português.

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Com 41 anos de carreira, a gaúcha Teresa Poester escolheu morar em Eragny sur Epte, uma cidadezinha perto de Paris, conhecida por também ter abrigado o pintor impressionista Camille Pissarro. "Eu era professora [no Instituto de Arte da Universidade Federal de Porto Alegre-UFRGS] e vim fazer o doutorado na França. Foi uma conjunção de fatores a minha escolha pelo país e por esse local. Pissarro teve um ateliê ali durante muitos anos, onde trabalhei", conta.

"A luz é diferente nesse lugar. A gente sabe que a luz dos impressionistas tem um véu, uma espécie de voile no céu, que é bem diferente da região do Midi [metade sul da França metropolitana]. A pintura do Matisse e do Cézanne, por exemplo, sofre a influência do Midi", lembra a artista.

Teresa Poester realizou exposições individuais no Brasil, Argentina, Espanha, França e Bélgica, obtendo prêmios de desenho. Sobre o começo da carreira, Poester conta que não gostava de pintura, que achava o suporte muito "grandiloquente". "Era uma época difícil no Brasil, a época da ditadura. Descobri com o desenho que poderia retratar as coisas de uma maneira muito direta e muito simples, o desenho tem essa coisa da portabilidade", afirma.

A descoberta da pintura

"Eu me considerava péssima pintora na faculdade, então decidi ir estudar pintura em Madri. Voltei para o Brasil pintora, trabalhando nesse suporte. Quando fui para a França mais tarde, retomei o desenho. Acho que mesmo a minha pintura era de desenhista, era uma pintura 'magra', não tinha um pensamento de pintor", conta Poester.

"Mas o meu desenho tem a coisa da pintura. Não é um desenho de contorno, é um desenho de campos, de cor, no sentido de arabescos", diz. No Brasil ou na França, a artista explora agora mais sistematicamente um processo híbrido. "Minha abordagem pessoal é influenciada pelo trabalho coletivo e combina mais e mais desenho, gravura, fotografia, manipulação digital, livro-objeto, performance e principalmente vídeo. O desenho abre mais e mais em novos suportes", conta.

O gesto na era digital

"O meu desenho sempre teve, mesmo quando era mais figurativo, uma pegada muito gestual. Nunca me interessei por um trabalho que fosse uma cópia. Sempre me interessei pelo gesto, por esse tremor da mão que só o desenho pode dar, essa coisa da linha ser expressiva, isso que me interessa. Eu acho que o desenho digital tem muitas possibilidades", afirma a artista.

Ela diz que aprende muito com as gerações mais jovens. "Criei um coletivo chamado Ateliê D43, que veio fazer residências aqui na França. Trabalho muito com vídeo e com essas misturas de linguagens", conta Poester.

"A exposição 'A natureza do gesto' é um trabalho gestual. Não é completamente figurativo, não estou retratando uma paisagem. Mas essa paisagem entra dentro de mim e eu moro em um lugar rural na França, completamente próximo do pampa gaúcho, onde nasci. Os pintores que eram paisagistas foram levados à abstração muito mais facilmente do que os retratistas. A paisagem leva à abstração mais facilmente", diz a artista.

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