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Brasil mostra suas faces no festival Encontros de Arles de fotografia

Áudio 07:39
Gláucia Nogueira, co-fundadora do coletivo Iandé e Ioana Mello, curadora da mostra "What's going on in Brazil"
Gláucia Nogueira, co-fundadora do coletivo Iandé e Ioana Mello, curadora da mostra "What's going on in Brazil" RFI
Por: Patricia Moribe

Acontece no Sul da França os Encontros de Arles, um dos festivais internacionais mais importantes de fotografia. São mais de 50 exposições, entre retrospectivas e novas tendências da imagem. O Brasil tem destaque este ano como parte da exposição “Hey! What’s going on?”, na Fundação Manuel Rivera-Ortiz.

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A RFI conversou com Gláucia Nogueira, co-fundadora do coletivo Iandé, que reúne os 12 fotógrafos em exposição, e Ioana Mello, curadora da mostra brasileira.

“O Iandé é uma plataforma que tem o intuito de criar uma ponte entre Brasil e a França. Iandé significa ‘nós’, pronome pessoal inclusivo”, explica Gláucia.

Entre os critérios de seleção para o grupo apresentado em Arles foi a paridade. “São seis fotógrafos homens e seis fotógrafas mulheres”, explica Ioana. “Também queríamos temas que fossem importantes no Brasil hoje, como a cultura indígena, a questão da mulher, a periferia, infância, comunidade LGBT. São temas em voga agora no Brasil. Tem também as minorias que estão perdendo seus direitos”, acrescenta.

Novidades a cada semana

A exposição brasileira também traz a sessão “work in progress”, que a cada semana do festival mostra uma projeção recente de um dos fotógrafos a respeito do Brasil atual. Ou seja, uma visão de cada um dos 12 fotógrafos a cada uma das 12 semanas que dura o evento.

Nesta semana, a projeção é da fotógrafa Elsa Leydier, francesa radicada há cinco anos no Brasil. “O trabalho dela é muito interessante, pois ela interfere em imagens conhecidas no mundo todo como sendo do Brasil, típicas”, explica Gláucia. “A Elsa pega imagens clichês, do Google, como paisagens, carnaval, futebol. A partir de frases de Jair Bolsonaro, ela vai criar ruídos em cima das imagens, para justamente quebrar o mito do país tropical, bonito e perfeito”, acrescenta Iona.

A frequentação na exposição durante a primeira semana foi de cerca de 400 visitas por dia, um número expressivo. “O Brasil, por tudo o que passamos e continuamos a passar, tem gerado uma enorme curiosidade do público internacional. Os visitantes perguntavam não só sobre os fotógrafos, mas também sobre a atualidade brasileira. Foi uma ótima oportunidade de diálogo com o público e com outros fotógrafos do evento”, conta Ioana.

Elo fotográfico

“É importante criar, fortalecer esse link que já existe desde da época de Dom Pedro II entre Brasil, França e a fotografia brasileira. Temos grandes nomes, mas queremos abrir espaço para uma fotografia rica, jovem, moderna e contemporânea”, diz Gláucia.

“What’s going on in Brazil” fica em cartaz na Fundação Manuel Rivera-Ortiz, em Arles, até 22 de setembro de 2019.

 

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