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Brasil-Mundo

Na Suíça, bailarinos brasileiros ganham prêmios em um dos maiores concursos de dança do mundo

Áudio 03:31
João Vitor Santana realiza a sua apresentação no festival de dança de Lausanne, na Suíça.
João Vitor Santana realiza a sua apresentação no festival de dança de Lausanne, na Suíça. Divulgação Prix de Lausanne/ RFI
Por: Valéria Maniero
9 min

Dois bailarinos brasileiros foram premiados no concurso de balé de Lausanne (Prix de Lausanne), na Suíça, considerado um dos mais importantes do mundo. João Vitor Santana, de 17 anos, e Vitor Augusto Vaz, de 15, que estudam no Instituto Tecnológico de Goiás – Basileu França, ficaram entre os oito vencedores e ganharam bolsas de estudo em renomadas escolas e companhias de dança.

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Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça

Neste ano, 77 candidatos do mundo todo participaram da competição, que aconteceu em Montreux. Apenas 21 bailarinos foram selecionados para a grande final, neste sábado (8). Vitor e João Vitor estavam entre eles.

“É emocionante receber o terceiro lugar no Prix de Lausanne, um dos maiores festivais do mundo. Eu e o Vitor, que ganhou a sétima bolsa, estamos muito felizes. A gente volta ao Brasil com dois prêmios. São dois brasileiros entre os oito melhores. É muito gratificante”, comemorou João Vitor Santana.

João Vitor Santana (e) e Vitor Augusto Vaz tiveram apoio da família para seguir carreira na dança.
João Vitor Santana (e) e Vitor Augusto Vaz tiveram apoio da família para seguir carreira na dança. Divulgação Itego-Basileu França/ RFI

“O balé mudou a minha vida”, diz bailarino premiado

João Vitor contou para a RFI que começou a fazer balé aos 13 anos, em Barra Bonita, no interior de São Paulo. Um dia, quando estava indo jogar bola com o irmão, passou por uma academia de dança e se apaixonou pelo que viu através das vidraças:

“Estava tendo aula. Fiquei lá assistindo e a professora me chamou para fazer balé, só que eu fiquei com vergonha e não quis ir. Então, meu irmão passou de volta, me pegou e fomos embora. Ele comentou com minha mãe, com meus pais, que eu estava assistindo à aula de balé e minha mãe perguntou se eu queria dançar. Mas eu disse que não, porque fiquei com medo da reação deles. Só que eu vivia dançando pela casa”, lembra João Vitor.

O que aconteceu a seguir parece até filme. A mãe dele, Nilce Elaine de Melo, que trabalha como empregada doméstica, levou-o até a academia, dizendo que ela queria fazer pilates.

“Mas ao chegar, a minha mãe perguntou do balé, qual era o custo. Eu entrei para assistir à aula. No outro dia, já estava fazendo. Minha mãe fez essa grande surpresa para mim”, conta. “Sou muito grato a ela por ter me colocado no balé porque hoje eu olho para trás e vejo aquele menininho olhando na janela, vendo o balé com os olhos brilhando, com aquela música clássica entrando nos ouvidos dele”, diz.

João Vitor, que sofria bullying na escola por causa da altura, se encontrou na dança. “Quando eu entrei no balé, ele realmente mudou a minha vida. Tirou o bullying que eu sofria, me fez ser outra pessoa, trouxe mais segurança em mim mesmo”, explicou. 

Brasileiro trocou o judô pelo balé

Quanto a Vitor Augusto Vaz, o jovem brasileiro trocou o judô pela dança aos 9 anos de idade e, seis anos depois, recebeu o prêmio na Suíça.  “Eu fazia judô e o professor falou que eu tinha porte de bailarino por ser magro, alto. Eu fui, fiz uma aula e gostei muito. Depois, eu não parei”, recorda-se. “Minha mãe falou: se você quer isso para a sua vida, é isso que vai ter”, contou o jovem. 

Vitor Augusto Vaz trocou o judô pela dança aos 9 anos de idade e, seis anos depois, recebeu o prêmio na Suíça.
Vitor Augusto Vaz trocou o judô pela dança aos 9 anos de idade e, seis anos depois, recebeu o prêmio na Suíça. Divulgação Itego-Basileu França/ RFI

Segundo ele, “tem umas pessoas que falam que é coisa de menina”, mas Vitor diz ter tido sempre o apoio da família para seguir adiante.  

“Eu não imaginava nem que estaria entre os 21 finalistas. Quando anunciaram meu nome, fiquei muito surpreso. Parece que não é verdade, que a gente não está aqui, mas a gente ficou feliz. É um festival conhecido, vai ajudar muito no nosso currículo”.

Mais meninos do que meninas do Brasil

Neste ano, 6 jovens concorrentes eram do Brasil, dos quais quatro meninos e duas meninas. Além de Vitor e João Vitor, também competiram Ana Luisa Negrão, Rachel Quintão, Rui César Cruz e Gabriel Barbosa.

“A gente nunca imaginava que um dia poderia chegar aqui. E hoje a gente está aqui, né? Conquistando muitas coisas, dando tudo certo. É muito bom representar o Brasil na Suíça”, diz João Vitor.

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