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“O Brasil vai mal”, diz diretor do Festival de Cannes ao anunciar participação brasileira na seleção

O delegado geral do evento, Thierry Frémaux (e), durante a divulgação da seleção do Festilva de Cinema de Cannes.
O delegado geral do evento, Thierry Frémaux (e), durante a divulgação da seleção do Festilva de Cinema de Cannes. AP - Serge Arnal
Texto por: Silvano Mendes
3 min

O Festival de Cinema de Cannes revelou nesta quarta-feira (3) a seleção oficial de filmes para sua edição deste ano. A lista de mais de 50 nomes conta com produções do mundo todo, mas apenas um participante do Brasil, com “Casa de Antiguidades”, de João Paulo Miranda Maria. O evento teve que ser cancelado em seu formato habitual por causa da pandemia de Covid-19, mas os organizadores preferiram manter o ritual da seleção para apoiar a 7ª Arte durante a crise.

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Ao revelar a seleção de filmes escolhidos para esta edição especial, o delegado geral do evento, Thierry Frémaux, chamou a atenção para a situação atual do Brasil. O francês anunciou a escolha de “Casa de Antiguidades”, de João Paulo Miranda Maria, e disse em seguida que “o Brasil vai mal e o cinema brasileiro está mal. A cinemateca (brasileira) está em grandes dificuldades”.

O delegado geral do mais famoso festival de cinema do mundo deu a entender que teve informações recentes sobre o Brasil por meio do premiado cineasta brasileiro Walter Salles. “Ele me disse: fale da gente, diga é que preciso nos ajudar”, comentou Frémaux, fazendo referência a uma conversa com o diretor de “Central do Brasil”, que já teve filme premiado em Cannes (melhor atriz para Sandra Corveloni em 2008 com “Linha de Passe”, co-dirigido com Daniela Thomas).

João Paulo Miranda Maria, o único brasileiro na seleção do festival este ano, já passou pelo evento francês. O diretor recebeu uma menção especial do júri de Cannes em 2016 pelo curta-metragem “A Moça que Dançou com o Diabo”.

Nascido em Porto Feliz, no interior paulista, ele reivindicou, durante uma entrevista à RFI após sua premiação, fazer um cinema “caipira”, mas longe dos clichês. Protagonizado por Antônio Pitanga e rodado em zonas rurais de Santa Catarina, "Casa de Antiguidades" segue essa linha.

O Brasil teve uma participação recorde no 72° festival de Cannes, em 2019. Ao apresentar sete produções e coproduções nas diferentes seleções, inclusive na disputa pela Palma de Ouro, o cinema brasileiro se tornou o quarto mais representado nas mostras oficiais da edição passada do evento da Riviera Francesa.

56 filmes selecionados, mas nenhuma Palma este ano

Segundo os organizadores, 2067 filmes foram enviados para ao comitê de seleção deste ano, que escolheu 56 produções. No entanto, vai ser uma edição do Festival de Cannes sem Palma de Ouro nem Grande Prêmio do Júri, já que não haverá competição.

O festival deveria ter acontecido de 12 a 23 de maio, com um júri presidido pelo diretor americano Spike Lee. Mas como muitos eventos culturais, os organizadores preferiram renunciar ao tapete vermelho e cancelar o festival.

Mesmo assim, uma seleção foi apresentada. "Estamos comprometidos em apoiar a volta dos filmes aos cinemas", afirmou o delegado geral do evento, Thierry Frémaux, pouco antes da divulgação da lista. Ele espera que o fato de terem sido escolhidos ajude a promover os filmes no momento de suas estreias. Além disso, as produções poderão ser exibidas em outros festivais ao redor do mundo.

A seleção foi feita apenas entre filmes programados para serem lançados este ano. Com isso, produções como "Benedetta", o último trabalho de Paul Verhoeven, sobre história de freiras homossexuais, ficou de fora porque seus produtores decidiram adiar o lançamento para 2021.

Além disso, nenhum dos filmes selecionados poderá ser projetado na França antes de 22 de junho, quando os cinemas devem ser reabertos, após mais de dois meses de quarentena.

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