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Cultura

Mostra pós-quarentena “De volta ao futuro” expõe obra de brasileiro Henrique Oliveira em Paris

Áudio 06:33
O artista Henrique Oliveira
O artista Henrique Oliveira © Norbert Miguletz
Por: Adriana Brandão

As galerias de arte moderna e contemporânea parisienses festejam coletivamente sua reabertura após mais de dois meses de quarentena. O “Paris Gallery Weekend”, que acontece neste momento (de 02/07 a 05/07), propõe durante quatro dias 72 exposições espalhadas por quatro bairros da capital francesa para reconectar o público com a cena artística da cidade. Entre as mostras, a galeria Vallois apresenta "De Volta ao Futuro", uma exposição coletiva que conta com a participação do artista brasileiro Henrique Oliveira.

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A 7ª edição do “Paris Gallery Weekend” estava prevista para acontecer em maio, mas a quarentena imposta na França em 17 de março para lutar contra a pandemia suspendeu toda a programação. A segunda fase de flexibilização das medidas de restrição que autorizou a reabertura das galerias de arte na França em junho relançou o processo. Mas muitos projetos de exposição tiveram que ser revistos. “De Volta ao Futuro” é um deles. A mostra pega emprestado o nome do famoso filme americano para voltar 30 anos ao passado e fazer uma retrospectiva das três décadas de fundação da galeria parisiense Vallois, em 1990.

A fundadora da galeria, Nathalie Vallois, conta que a exposição aniversário foi pensada e imaginada durante o confinamento: “Evidentemente, tínhamos previsto fazer outra coisa e como não sabíamos do que o futuro seria feito, pensamos em montar essa mostra, com obras da nossa reserva, incluindo apenas dois ou três trabalhos que artistas fizeram durante a quarentena, e que poderia ser inaugurada imediatamente após a reabertura. Primeiro, montamos a exposição vitualmente e isso nos manteve em atividade”, explicou Nathalie à RFI.

Nathalie Vallois
Nathalie Vallois © RFI

Ela lembra que a crise provocada pelo coronavírus não é a primeira que o setor enfrenta. Apesar do nome escolhido para a exposição e ao contrário da maioria das pessoas, Nathalie Vallois não quer falar do mundo pós-pandemia e prefere pensar do aqui e agora.

“As pessoas não param de falar no mundo do pós-pandemia. Eu prefiro falar no mundo de hoje e isso já é muito bom. Depois de tudo o que passamos, é melhor pensar no agora do que no depois. E hoje, nós e nossos artistas concentramos nossas energias no trabalho. As crises se repetem. Vivemos a crise da primeira Guerra do Golfo, a crise de 2008. Claro que a crise atual é de outra ordem, totalmente nova, mas com nossos 30 anos de existência, conseguiremos enfrentá-la, superá-la”, acredita a galerista.

A exposição "De volta ao futuro" oferece a possibilidade de viajar no tempo com obras criadas pelos artistas durante os 55 dias de confinamento.
A exposição "De volta ao futuro" oferece a possibilidade de viajar no tempo com obras criadas pelos artistas durante os 55 dias de confinamento. © RFI

“Outra forma de marcar o tempo”

De volta ao futuro reúne obras de cerca de 30 artistas, de vários países, que fizeram a história da galeria. O brasileiro Henrique Oliveira, mundialmente conhecido na cena artística por seu trabalho com materiais orgânicos e composições de reaproveitamento, expõe na Vallois desde 2008.

Exposição  "De volta ao futuro"
Exposição  "De volta ao futuro" © RFI

A obra que integra a mostra atual, não é uma de suas célebres instalações monumentais, como “Ramificações”, “Transarquitetônica” ou a série “tapumes”. “Relógio” faz parte de uma série de obras que Henrique Oliveira realiza com móveis usados.

“Eu recupero móveis usados, faço intervenções escultóricas usando madeira compensada, criando uma mistura de formas orgânicas coextensivas às formas geométricas dos móveis, misturando esses aspectos que são um pouco antropomórficos aos objetos que fazem parte do nosso cotidiano. É um relógio que tem uma outra forma de marcar o tempo. Não é nem escultura, nem objeto hibrido, é uma alucinação”, define o artista que está em São Paulo e falou com a RFI pelo telefone.

Henrique Oliveira ressalta que a formação básica, a prática básica da obra dele é a pintura: “A partir da pintura eu comecei a trabalhar com os tapumes, a partir dessa série dos tapumes continuei usando a madeira, não apenas a madeira, mas sobretudo essa madeira de compensado, recuperada do lixo, e o trabalho foi se desdobrando para outras formas escultóricas. A pintura sempre continuou como uma prática paralela, não foi uma passagem do bidimensional para o tridimensional como muitas vezes as pessoas entendem.” 

“Luz no fim do túnel”

A montagem inesperada da exposição “De Volta ao Futuro” foi uma boa notícia para Henrique Oliveira, que está em quarentena em São Paulo.

"Fiquei contente. Quando você não está esperando mais nada, tem uma exposição que tem um trabalho seu. Dá um pouco de esperança. Para mim, que estou confinado aqui em São Paulo, é uma luz no fim do túnel.  Eu não sei até que ponto dá para acreditar que realmente isso é uma abertura, que a partir de agora vai progredir para um estágio cada vez mais próximo da normalidade ou se vai regredir de novo. Não sabemos, mas é positivo.”

Uma prazerosa mistura de tempo e geração, onde pepitas dos anos 60 encontram-se com obras da última década
Uma prazerosa mistura de tempo e geração, onde pepitas dos anos 60 encontram-se com obras da última década © RFI

O evento “Paris Gallery Weekend” pode ser acompanhado pela internet. A mostra “De Volta ao Futuro”, com a obra do artista brasileiro Henrique Oliveira, fica em cartaz na Galeria Vallois, em Paris, até 29 de agosto.

 

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