Sem pipoca e com 30% de ocupação, China reabre cinemas após 14 dias sem novos casos de Covid-19

O intervalo entre cada sessão foi aumentado para que as equipes de limpeza possam desinfetar as salas de cinema na China no final de cada projeção.
O intervalo entre cada sessão foi aumentado para que as equipes de limpeza possam desinfetar as salas de cinema na China no final de cada projeção. STR / AFP

A China reabriu alguns de seus cinemas nesta segunda-feira (20). Essa é a segunda vez que os chineses tentam reabrir os estabelecimentos, fechados desde o final de janeiro, quando o país se tornou o estopim da pandemia de coronavírus. Mas desta vez a estabilização no número de novas contaminações é vista como perene.

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Com informações de Zhifan Liu, correspondente da RFI em Pequim

Após duas semanas sem novos casos de coronavírus, as autoridades chinesas decidiram diminuir o nível de alerta no país. A medida autoriza parques, museus, bibliotecas e instalações esportivas a operar com 50% de sua capacidade normal.

Na esteira dessa flexibilização, os cinemas reabrem suas portas como símbolo de uma melhora palpável na crise sanitária. Apenas em Pequim, os moradores vão ter que esperar alguns dias antes de voltarem a ficar diante das telonas.

No resto do país, algumas salas abriram desde meia-noite de segunda-feira. Desde domingo (19), 391 cinemas em 83 cidades já haviam vendido quase 1 milhão de entradas para o dia reabertura. Às 7h da manhã (pelo horário local), 50 mil pessoas já estavam diante das telas.

No entanto, algumas restrições persistem. As salas recebem apenas 30% de sua capacidade normal, um metro de distância é respeitado entre cada espectador e todos são obrigados a usar máscaras de proteção. A venda de bebidas, doces, salgados e pipocas é proibida por enquanto e o intervalo entre cada sessão foi aumentado para que as equipes de limpeza possam desinfetar as salas no final de cada projeção.

“Tirei dia de folga para ir ao cinema”

No complexo da SFC, em Xangai, uma equipe limpava minuciosamente os assentos e os óculos 3D com panos embebidos em desinfetante antes da primeira sessão, enquanto o diretor da sala, Bao Yaopei, celebrava a reabertura. Ele garante ter recebido inúmeros chamados de clientes impacientes para poder "sentir novamente a felicidade que os filmes trazem".

Lu Yonghao, um dos primeiros espectadores a entrar na sala, não esconde seu entusiasmo. "Não vejo um filme no cinema há mais de seis meses", explica o jovem de 25 anos, que não hesitou em "tirar um dia de folga" para ir ao cinema, em grande parte vazio. "Eu preciso assistir a pelo menos um filme por semana para aliviar a pressão da vida cotidiana", diz ele.

Cerca de 70 mil cinemas haviam sido fechados em janeiro na China para impedir a propagação da Covid-19. Em maio, as autoridades anunciaram brevemente a reabertura das salas, antes de recuarem após uma série contaminações em Pequim.

Impacto no setor do cinema pode durar uma década

Apesar da reabertura das salsas, o retorno às atividades do setor será lento, alerta o diretor de cinema Fang Li. "Embora os filmes voltem a ser exibidos graças à reabertura dos cinemas, deixaremos de arrecadar cerca de 50%" em relação ao nível pré-pandemia, estima Fang, que prevê que um retorno à normalidade pode levar até dez anos.

Wanda, a maior operadora de salas de cinema da China, anunciou 1,5 bilhão de yuans (Mais de R$ 1 bilhão) em perdas neste setor apenas no primeiro semestre.

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