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Cultura

Xadalu, artista urbano que conecta aldeia à cidade, desenvolve projeto na França

Áudio 06:06
O artista visual urbano Xadalu Tupã Jekupé, da etnia Guarani Mbya, venceu a edição 2020 do Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea.
O artista visual urbano Xadalu Tupã Jekupé, da etnia Guarani Mbya, venceu a edição 2020 do Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea. © Divulgação
Por: Daniella Franco
12 min

O artista visual urbano Xadalu Tupã Jekupé venceu a edição 2020 do Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea e vai realizar, a partir de outubro, uma residência artística em La Rochelle, no oeste da França. Em entrevista à RFI, ele traz mais detalhes sobre essa conquista e o projeto que pretende desenvolver no Velho Continente.

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A conexão entre a aldeia e a cidade: o trabalho do artista mestiço Xadalu Tupã Jekupé liga dois universos distintos. Essa ponte que leva a tribo aos espaços urbanos vai ficar ainda maior a partir de outubro, quando o gaúcho estará na França.

“Eu fiquei muito feliz e muito surpreso com o prêmio, até porque o circuito da arte aqui no Rio Grande do Sul é totalmente acadêmico. Essa conquista é um marco para a arte urbana e, para mim, é muito gratificante estar representando a minha cultura e poder fazer essa residência em La Rochelle”, diz.

Fotomontagem do artista Xadalu em Porto Alegre (RS).
Fotomontagem do artista Xadalu em Porto Alegre (RS). © Divulgação

A residência artística de dois meses no Centre Intermondes vai resultar em uma exposição individual de Xadalu. A experiência vai desembocar em outro projeto do gaúcho, em 2021.

“Parte desta exposição de La Rochelle vai depois para o Museu Nacional de Belas Artes do Rio. Eu estou muito feliz por poder fazer parte disso e poder colaborar com a causa que eu vivo e convivo”, reitera.

Colagem do artista Xadalu instalada em Porto Alegre (RS).
Colagem do artista Xadalu instalada em Porto Alegre (RS). © Divulgação

Arte urbana engajada

A produção diversificada de Xadalu, que vai desde a sticker art à fotografia, passando pela pintura e a serigrafia, leva ao público vivências e histórias de seus ancestrais, originários de uma aldeia em Alegrete (RS). Sua arte engajada também denuncia as injustiças das quais minorias indígenas são alvo há séculos no Brasil.

“Eu acredito muito no potencial imenso da arte urbana para atingir todas as camadas sociais e poder compartilhar informações. Desde o meu primeiro trabalho, há esse cunho da denúncia para mostrar esse choque de culturas, da etnia guarani dentro do contexto urbano. Mas é verdade que a situação atual agride mais e provoca mais essa denúncia”, afirma.

O trabalho de Xadalu denuncia as injustiças das quais comunidades indígenas são alvo no Brasil.
O trabalho de Xadalu denuncia as injustiças das quais comunidades indígenas são alvo no Brasil. © Divulgação

Xadalu vem à França em um momento particular no Brasil, em que as comunidades indígenas brasileiras sofrem com as queimadas nas florestas, com a perda de terras e direitos e ainda enfrentam a propagação do coronavírus. Por isso, para ele, internacionalizar essa denúncia através da arte é essencial.

“O cenário no Brasil não poderia ser pior. Além dessa pandemia, que vem invadindo aldeias e periferias, a gente tem um governo reacionário que está acabando com os poucos direitos que garantiam a integridade e o desenvolvimento tanto da cultura indígena, quanto da quilombola e do povo da periferia. Por isso a gente está sempre lutando e denunciando.”

Xadalu também promove ateliês artísticos em comunidades indígenas.
Xadalu também promove ateliês artísticos em comunidades indígenas. © Divulgação

Da aldeia para o mundo

Essa não será a primeira vez de Xadalu na Europa. O premiado artista, que integra coleções e acervos de espaços como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) e o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC-RS), apresentou suas obras em galerias de Berlim e Florença e passou em 2017 por Paris, onde participou de um debate no Instituto de Altos Estudos da América Latina, na Sorbonne Nouvelle. As viagens e experiências no exterior permitem que ele divulgue a causa indígena além das fronteiras do Brasil.

“Levar essa denúncia através de arte é algo muito gratificante. Até porque na cultura Guarani Mbya, meu nome espiritual é Tupã Jekupé. O Tupã é o elemento valente, a chuva e o trovão, e o Jekupé é aquele que transmite a informação. Então, para mim esse é um momento muito especial”, ressalta.

Fotomontagem do artista urbano Xadalu nas ruas de Porto Alegre (RS).
Fotomontagem do artista urbano Xadalu nas ruas de Porto Alegre (RS). © Divulgação

A experiência no exterior também ajuda a mostrar a importância que a arte urbana tem fora do país e a valorizá-la no Brasil. Além disso, para Xadalu, participar do circuito de galerias e museus contribui para denotar a legitimidade de sua produção artística.

“A arte urbana sempre foi muito discriminada no Rio Grande do Sul, seja durante governos de esquerda ou direita. Isso também ajudou os artistas urbanos gaúchos a se unirem e a criarem uma espécie ‘casca grossa’, nos motivando a continuar”, conclui.

"Atenção: área indígena": é um dos pôsteres mais célebres de Xadalu.
"Atenção: área indígena": é um dos pôsteres mais célebres de Xadalu. © Divulgação

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