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Biarritz realiza seu tradicional festival de cinema latino-americano com foco na comunidade hispânica dos EUA

Virgem Guadalupe com a coroa da Estátua da Liberdade sobre o rochedo da Virgem de Biarritz – criação de Gwladys Esnault e Mathilde Schoetti -Atelier Mêlé.
Virgem Guadalupe com a coroa da Estátua da Liberdade sobre o rochedo da Virgem de Biarritz – criação de Gwladys Esnault e Mathilde Schoetti -Atelier Mêlé. © Divulgação
Texto por: Maria Emilia Alencar
4 min

Nem a pandemia conseguiu dissuadir os organizadores do Festival Biarritz-América Latina de fazer o evento que acontece nesse balneário do sudoeste da França desde 1991. Trinta filmes concorrem aos diversos prêmios em várias categorias; entre eles, quatro brasileiros.

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Maria Emilia Alencar, enviada especial a Biarritz

Com regras sanitárias rígidas, o festival - que há quase três décadas se caracteriza como um ponto de encontro entre Europa e América Latina - mais uma vez cumpre o seu ritual: o célebre Casino de estilo Art Déco vira um “village” latino, com ponchos coloridos espalhados pelos estandes e um cheiro de empanadas quentinhas invadindo o espaço animado pelo som de salsas, cumbias e músicas andinas.

“Latinos in the USA”

Para essa 29ª edição, o festival escolheu a temática da imigração latino-americana nos Estados Unidos, abordada não só em uma série de filmes, mas também em mesas redondas com especialistas e discussões literárias.   

Como explicou no texto de apresentação do festival o responsável pela programação, Nicolas Azalbert, “a primeira constatação do imigrante latino é que os Estados Unidos não são a Disneylândia. O confronto com a realidade apaga rápido o imaginário do sonho americano”.

Em destaque, o longa mexicano Los Lobos, de Samuel Kishi Leopo, cujos protagonistas são duas crianças que emigraram para Albuquerque, oeste dos Estados Unidos, e passam o dia dentro de um minúsculo apartamento esperando a mãe que trabalha sem parar para cumprir a promessa de levá-los à Disney.

I’m leaving now, de Lindsay Cordero e Amando Croda, outro filme dessa mostra, aprofunda a apreensão da volta ao país de um velho clandestino mexicano após 16 anos vivendo nos Estados Unidos. Apreensão no sentido inverso da personagem que vai viver em Nova York do filme argentino Hermia y Helena, de Matias Piñeiro.

Em foco ainda, as questões de gênero, com a afirmação de uma nova identidade a partir da mudança de país, no filme El viaje de Monalisa, da chilena Nicole Costa.

O festival aproveita também a atualidade da eleição presidencial americana para organizar um mesa redonda sobre o “voto latino” nos Estados Unidos, promovida pelo Institut des Hautes Etudes d’Amérique Latine (IHEAL).

Menor presença brasileira

O cinema brasileiro, que conquistou no ano passado seis prêmios no festival e que sempre se destacou em Biarritz, está menos em evidência esse ano. Em competição na categoria ficção, apenas um longa-metragem: Um animal amarelo, de Felipe Bragança, produção conjunta de Brasil, Portugal e Moçambique.

A película trata da questão da identidade através do personagem Fernando, um jovem cineasta à procura de suas raízes em Moçambique e Portugal.

Em competição ao prêmio de melhor documentário, O Índio cor de rosa contra a fera invisível, de Tiago Carvalho, que reconstitui com imagens de arquivo a trajetória do médico brasileiro Noel Nutels que dirigiu várias expedições para ajudar os indígenas brasileiros em diversas regiões e filmou ele mesmo, em 16 milímetros, essas viagens, deixando um legado de imagens excepcional.

Na seção de curtas-metragens, ainda duas películas brasileiras em competição: Menarca, de Lillah Halla e O Prazer de matar insetos, de Leonardo Martinelli.

O festival Biarritz-América Latina termina em 4 de outubro.

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