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Filme brasileiro ‘O Índio Cor de Rosa contra a Fera Invisível’ leva dois prêmios no Festival de Biarritz

O médico sanitarista Noel Nutels fotografado entre os índios.
O médico sanitarista Noel Nutels fotografado entre os índios. © Divulgação
Texto por: Maria Emilia Alencar
6 min

O filme de Tiago Carvalho sobre as expedições do médico sanitarista Noel Nutels, que dedicou sua vida ao tratamento da saúde dos indígenas do Brasil, conquistou o prêmio de público de melhor documentário, a menção especial do júri da categoria e o prêmio dos estudantes do IHEAL, Instituto de Altos Estudos da América Latina, parceiro do festival.

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Enviada especial a Biarritz

Carvalho, que não pode viajar a Biarritz para apresentar o filme, reuniu imagens fascinantes em 16mm feitas pelo próprio Nutels em suas viagens às aldeias indígenas entre as décadas de 40 e 70. Primeiro longa do documentarista, o filme vai muito além de um trabalho etnográfico e sensibilizou o público e o júri do festival para a situação das populações indígenas do Brasil, particularmente afetadas pela pandemia de Covid-19.

Noel Nutels foi um dos primeiros sanitaristas a denunciar o genocídio dos povos indígenas no Brasil. Um dos momentos mais comoventes do filme é o seu discurso na CPI do Índio na Câmara dos Deputados, em 1968, quando ele lança o grito de alarme: “A essa hora alguém está matando um índio. É a cobiça da terra, é a cobiça do subsolo, é a cobiça das riquezas naturais. É um vício de estrutura econômica. Enquanto a terra for mercadoria e objeto de especulação, vai se matar índio. A quem interessa o crime?”

O documentário reúne imagens de 21 filmes de Nutels, que dirigia as ações de combate à tuberculose realizadas pela equipe do SUSA (Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas). O médico sanitarista produziu imagens de extrema beleza, onde vemos muitas cenas de crianças indígenas brincando nos rios, as populações caçando, pescando ou fazendo trabalhos domésticos.

Cartaz do filme ‘O Índio Cor de Rosa contra a Fera Invisível’, um dos vencedores do Festival de Biarritz
Cartaz do filme ‘O Índio Cor de Rosa contra a Fera Invisível’, um dos vencedores do Festival de Biarritz © Divulgação

“O Índio Cor de Rosa” é o título do romance biográfico sobre Nutels do escritor Orígenes Lessa (1903-1986), mas é também o apelido carinhoso que os amigos davam ao sanitarista, de origem ucraniana, que aparece muitas vezes nos filmes de short e sem camisa, brincando e tratando dos índios.

O documentário, cujo título integral é “O Índio Cor de Rosa contra a Fera Invisível: a peleja de Noel Nutels”, deve estrear no Brasil em 10 de outubro. O filme, lançado pela Fiocruz Vídeo e pela Banda Filmes em dezembro de 2019, já foi exibido esse ano no Olhar de Cinema, o Festival Internacional de Curitiba, e no Festival Internacional de Cine Documental de Buenos Aires (FDBA).

Premiação

O Abrazo de melhor filme do Festival Biarritz América Latina, ou seja o prêmio de melhor longa-metragem de ficção, foi concedido a “Ofrenda”, primeiro filme do jovem cineasta argentino Juan Maria Mónaco Cagni, realizado com um orçamento de menos de mil dólares. O longa trata da andança sem rumo de duas mulheres que se encontram em uma pequena cidade na província de La Pampa argentina.

O prêmio do júri foi para o filme venezuelano “La Fortaleza”, de Jorge Thielen Armand, rodado na selva amazônica e interpretado pelo próprio pai do cineasta. O prêmio de público do melhor longa de ficção foi concedido a “Selva Trágica”, da mexicana Yulene Olaizola, uma trama tendo como pano de fundo os seringueiros que trabalham na mata que faz fronteira entre México e Belize.

O prêmio da crítica ficou com “Chico Ventana también quisiera tener um submarino”, do uruguaio Alex Piperno. O filme do gênero fantástico, rodado em vários países, é uma produção conjunta do Uruguai, Brasil, Argentina, Holanda e Filipinas.

Na categoria documentário, além da premiação concedida ao filme brasileiro “O Índio Cor de Rosa contra a fera Invisível”, o longa “El Outro”, do chileno Francisco Bermejo, ganhou o prêmio de melhor longa. O filme trata do retorno à vida primitiva de dois homens que vivem isolados numa cabana no litoral pacifico do Chile.

O prêmio de melhor curta metragem foi para “Teoría Social Numérica”, da colombiana Paola Michaels, uma discussão sobre a evolução digital e sobre a passagem do tempo, recorrendo a diferentes suportes de imagens, do Super 8 aos filmes feitos com celulares.

Quatro filmes brasileiros concorreram aos prêmios em diversas categorias dessa 29ª edição do festival: além do premiado documentário “O Índio Cor de Rosa”, o longa-metragem “Um animal amarelo”, de Felipe Bragança, disputou o prêmio de melhor longa de ficção. Na seção de curtas-metragens, dois filmes brasileiros figuravam na competição: “Menarca”, de Lillah Halla e “O Prazer de matar insetos”, de Leonardo Martinelli.

O Festival Biarritz América Latina termina no domingo 4 de outubro.

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