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Poeta americana Louise Gluck vence o Nobel de Literatura 2020

A poeta americana Louise Gluck, vencedora do Nobel de 2020.
A poeta americana Louise Gluck, vencedora do Nobel de 2020. GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP/File
Texto por: RFI
4 min

A poeta americana Louise Gluck, de 77 anos, é a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2020, anunciou nesta quinta-feira (9) a Academia Sueca. Gluck foi premiada por sua "inconfundível voz poética, que, com uma beleza austera, torna a existência individual universal", afirmou a instituição. A recompensa é uma coroação dessa autora com uma longa carreira iniciada na década de 1960, mais ainda pouco conhecida no Brasil.

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Louise Gluck nasceu em Nova York, em 22 de abril de 1943, em uma família judia de origem húngara. Ela cresceu em Long Island e tem uma obra marcada por aspectos autobiográficos de sua infância e de sua vivência familiar. Algumas de suas poesias fazem referência à anorexia durante a adolescência, falam de traumatismo, desejo, sentimentos de tristeza e melancolia. A autora é professora de inglês Universidade de Yale.

Gluck assina 12 livros e ensaios sobre poesia. Embora sua obra seja pouco conhecida fora dos Estados Unidos, ela venceu prestigiosos prêmios ao longo de sua carreira. Em 2014, por exemplo, conquistou o Prêmio Nacional do Livro com "Faithful and Virtuous Night" (Farrar, Straus, and Giroux), na sequência do sucesso do livro The Wild Iris (Ecco Press), que recebeu o Prêmio Pulitzer em 1993 e o Prêmio William Carlos Williams da Sociedade de Poesia da América. Em 2008, Gluck foi selecionada para receber o Prêmio Wallace Stevens pelo domínio da arte da poesia. Sua coleção Poems 1962-2012 recebeu o prêmio Los Angeles Times Book 2013. Em 2015, recebeu a Medalha de Ouro por Poesia da Academia Americana de Artes e Letras.

A americana declarou ter ficado "surpresa e feliz" com a premiação do Nobel, depois de receber uma chamada telefônica da Academia Sueca quando ainda era cedo nos Estados Unidos. Das 117 recompensas oferecidas para escritores desde 1901, apenas 16 mulheres, incluindo Gluck, foram agraciadas com o Nobel de Literatura.

Recompensa marcada por polêmicas nos últimos anos

O Prêmio Nobel de Literatura não deixou de surpreender o público nos últimos anos, demonstrando um "timing" perfeito com as pautas contemporâneas e a sociedade que o emolduram. Depois de quebrar os vetustos cânones da Academia Sueca ao homenagear o universo poético do cantor e compositor norte-americano Bob Dylan em 2016, uma premiação que teve direito a muito suspense e especulação se Dylan aceitaria a homenagem, e que terminou com um show do astro pop, em 2017, o Nobel se rendeu à força da obra do autor britânico de origem japonesa Kazuo Ishiguro, de 62 anos. Ele teve três de seus romances adaptados para a tela grande. "Se combinarmos Jane Austen e Kafka temos um Ishiguro", afirmou na ocasião a então secretária da Academia Sueca, Sara Danius.

Em 2018, num mundo pós-Me Too, não faltaram crimes sexuais e escândalos na Academia de Estocolmo, que viveu neste ano o que foi considerado “a maior crise da história da instituição”. Sara Danius, a primeira mulher a liderar a Academia Sueca desde a sua fundação em 1786, foi forçada a deixar o cargo por ter enfrentado um escândalo provocado por um homem, em uma renúncia que teria sido orquestrada pela maioria de homens da instituição, como relatou a correspondente da RFI em Estocolmo, Claudia Wallim. Resultado?  A Academia adiou o anúncio do Prêmio Nobel de Literatura de 2018 pela primeira vez em 70 anos. A escritora polonesa Olga Tokarczuk levou “a posteriori” o prêmio Nobel de Literatura de 2018 e o romancista austríaco Peter Handke foi laureado com o Nobel de 2019.

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