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“Minha educação é de uma mãe que me teve aos 16 anos e veio para a Europa vencer na vida”, diz Bianca Costa, cantora brasileira radicada em Paris

Áudio 08:08
A cantora Bianca Costa
A cantora Bianca Costa © RFI
Por: Maria Paula Carvalho
13 min

Ela tem 21 anos e uma bagagem multicultural que não esconde suas origens e a sua identidade. Bianca Costa é brasileira, de Florianópolis, que deixou a cidade natal ainda na infância para viver em Portugal, antes de se mudar para Paris, onde está radicada há dez anos. O resultado dessa trajetória é um caldeirão de sons e referências, que ela apresenta em seu primeiro disco.

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Na música de trabalho intitulada “Pablito”, Bianca abusa do eletrônico e de toques bem caribenhos, numa mistura surpreendente que ela define como “um projeto urbano de pop world music”. Entre suas influências, estão desde a bossa nova, de João Gilberto, ao pop alternativo da cantora brasileira Anitta ou da maliana, Aya Nakamura.

“Há dois anos, eu conheci o meu produtor Julio Masidi, que tem esse lado afro que combina muito bem com a música brasileira. Então, a gente tenta misturar baile funk, reggaeton e bossa nova, sempre tentando resgatar a cultura brasileira e as influências que eu tenho desde pequena”, explica a cantora em entrevista à RFI.

Bilíngue

Além de suas raízes latinas, Bianca aposta em produções inspiradas na cultura rap, com letras em francês e em português.  “Eu sempre falo português com a minha mãe e componho nas duas línguas, mas o que flui mais é o português, meu idioma de origem”, admite.

“A minha mãe escutava muito rock, MPB, Os Tribalistas e, ao mesmo tempo, Nara Leão, Chico Buarque. Mas ela sempre gostou, também, de baile funk. Então, eu cresci ouvindo todos esses estilos. E quando comecei a cantar profissionalmente, os ritmos como bossa nova e funk vieram muito naturalmente, com um canto mais devagar, em atraso. Foi muito natural”, completa. “Por enquanto, eu estou focada no Brasil, mas quem sabe um dia cantar em espanhol, com algum cantor latino-americano seria legal”, acrescenta.

No início do ano, o título “Mi Vida” de Bianca Costa foi um dos preferidos nas plataformas de streaming: “com os seus acordes ensolarados e a sua voz tão doce tanto em português como em francês”, escreveu a crítica especializada francesa, à época.

A cantora Bianca Costa vive na França e sonha em conquistar o público brasileiro.
A cantora Bianca Costa vive na França e sonha em conquistar o público brasileiro. © divulgação

Poder feminino

Na faixa intitulada “Vai”, Bianca reúne muita latinidade e versos compostos em português e francês, com declarações firmes do papel feminino na sociedade. “Eu fui para Portugal e França só com a minha mãe. A minha educação veio de uma mãe jovem, que me teve com 16 anos, que me educou sozinha e foi para a Europa para vencer na vida”, conta. “Então, eu tenho essa força feminina e é muito importante para mim transmitir isso, que acaba me unindo a muitas outras mulheres”, diz.  

“A adaptação na França foi um pouco complicada no primeiro ano por causa do frio e porque a língua é muito diferente. Foi um choque cultural muito grande. Mas eu me habituei rápido, fiz amizades e aprendi francês em quatro meses. Eu gosto muito daqui, embora eu não saiba onde é a minha casa no mundo”, diz. “Sempre vai faltar alguma coisa. Eu, por exemplo, sou fã de arroz com feijão“, confessa.

“Todas as quintas-feiras, nas minhas redes sociais, eu faço um cover de uma música francesa com ritmos brasileiros e colocando palavras em português. Já fiz nove versões e vou continuar”, diz, convidando o público brasileiro a ouvir.  

Ainda sem data para estrear shows no Brasil, Bianca Costa sonha em conquistar fãs em sua terra natal. “Faz 3 ou 4 anos que não vou ao Brasil. Estou esperando a Covid-19 acabar para voltar, porque estou com muita saudade. Meu objetivo é conseguir conquistar tudo e voltar ao Brasil para ter um público brasileiro, o que me deixaria muito feliz”, conclui.

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