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Morre aos 90 anos Sean Connery, o eterno James Bond

Nascido em 1930 em Fountainbridge, periferia de Edimburgo, Thomas Sean Connery, nunca poderia imaginar que se tornaria uma das maiores estrelas do cinema do século 20.
Nascido em 1930 em Fountainbridge, periferia de Edimburgo, Thomas Sean Connery, nunca poderia imaginar que se tornaria uma das maiores estrelas do cinema do século 20. AFP/File
Texto por: RFI
6 min

O lendário ator escocês Sean Connery, especialmente conhecido por ter interpretado o agente secreto James Bond em sete filmes da saga, morreu aos 90 anos. A informação foi divulgada neste sábado (31) pela imprensa britânica. Segundo o filho Jason Connery, ele faleceu "em paz, enquanto dormia", em Bahamas, onde vivia desde os anos 1990. 

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Seu nome era Bond, James Bond. Sean Connery interpretou de forma indefectível o agente secreto em sete longas, mas sua façanha no mundo do cinema vai muito além da saga 007, pela qual ele será eternamente lembrado. Ao longo de uma brilhante carreira, o ator recebeu vários prêmios, incluindo um Oscar, três Globos de Ouro e dois Bafta.

Nascido em Edimburgo em uma família de origem modesta, Sean Connery exerceu várias profissões antes de se tornar um ícone das telonas. O escocês se tornou ator por um acaso do destino e era um ilustre desconhecido quando foi selecionado para encarnar, pela primeira vez, o agente secreto que o tornaria célebre no mundo inteiro em "007 Contra o Satânico Dr. No", em 1962. 

Na época, o produtores não tinham dinheiro suficiente para contratar uma estrela para interpretar o papel principal. Por isso o jovem escocês, que tinha no currículo uma dezena de pequenas participações em filmes de série B, chamou atenção Harry Saltzman e Albert R. Broccoli. 

"Ele não se parece em nada com a ideia que eu tinha de James Bond", declara Ian Fleming, criador da saga, quando se depara com Sean Connery. Mas "ele tem o sex appeal necessário", responde na época Blanche Blackwell, a namorada do escritor. Quando o longa é aclamado internacionalmente, Fleming volta atrás sobre sua impressão inicial sobre o ator escocês que encarnou seu personagem em sete filmes. 

De leiteiro a guarda-costas

Nascido em 1930 em Fountainbridge, periferia de Edimburgo, Thomas Sean Connery, nunca poderia imaginar que seria uma das maiores estrelas do cinema do século 20. Originário de uma família modesta, "Tommy", como era chamado, começou a trabalhar aos oito anos para ajudar nas finanças de casa. 

Leiteiro de madrugada, aprendiz de açougueiro durante a tarde. Aos 17 anos, teve de interromper os estudos para se engajar na Marinha Real, que deixou três anos depois devido a uma úlcera no estômago. É desta época que datam as tatuagens no braço "Dad and Mum" (pai e mãe) e "Scotland Forever" (Escócia para sempre) que podem ser vistas em várias cenas dos filmes estrelados por Sean Connery, apesar das tentativas das equipes de maquiagem de escondê-las. 

Depois do período a serviço da Marinha Real, o jovem exerce diversas profissões: pedreiro, entregador, salva-vidas, modelo na Escola de Belas Artes de Edimburgo e chegou a polir caixões em funerárias. Connery teve o primeiro contato com a profissão de ator quando trabalhou como ajudante no King's Theater, um dos maiores teatros da Escócia.

Com um físico atlético e 1,89 m de altura, aos 20 anos, também praticava fisioculturismo. O terceiro lugar que obteve na classificação júnior do concurso de Mister Universo, em 1950, o colocou em contato com um competidor que o sugeriu de fazer um teste para o papel de figurante em uma comédia musical intitulada de "South Pacific". Uma sugestão que deu certo.

Da figuração ao estrelato

Até seu primeiro papel como James Bond, o jovem ator dividia seu tempo entre o teatro e a televisão. Quando não estava interpretando, devorava as peças de Henrik Ibsen e as obras de Proust, Tolstoï, Tourgueniev, Shaw, Joyce e Shakespeare. Paralelamente, tomava aulas de dicção, que, por sinal, nunca conseguiram fazer desaparecer o sotaque escocês perceptível em cada um de seus personagens, mesmo quando interpretou um capitão soviético Markus Ramius em "Caçada ao Outubro Vermelho", em 1990. 

Ainda que tenha sido durante toda a sua carreira lembrado por seu sucesso na saga 007, Sean Connery tentou, ao longo de sua carreira, se afastar do personagem. "É um ator que vale muito mais que isso", dizia o amigo Michael Caine. A prova está em outros papéis brilhantes que interpretou, como o rico viúvo Mark Rutland, em "Marnie - Confissões de uma Ladra ", de Alfred Hitchcok, em 1964, o coronel Arbuthnot, em "Assassinato no Expresso Oriente", em 1974, o monge franciscano William de Baskerville, em "O Nome da Rosa", em 1986, ou policial aposentado Jim Malone em "Os Intocáveis", em 1987.  

Em "Nunca Mais Outra Vez", lançado em 1983, Sean Connery dá, definitivamente, adeus a James Bond. Apesar do sucesso no cinema, diversos problemas de produção - tanto artísticos como financeitos - levam o ator a se decepcionar e a se afastar das grandes produções. Após dois anos longe do cinema, ele voltou às telonas em 1986 para "O Nome da Rosa", de Jean-Jacques Arnaud, papel que lhe valeu um Bafta. Ironicamente, é também por um blockbuster, "Os Intocáveis", de Brian de Palma, que recebe o Oscar de melhor ator coadjuvante em 1988. 

Se muitos críticos de cinema apontam que a performance de Sean Connery não parou de ser aprimorada ao longo de meio século de carreira, seu charme e sex appeal também não diminuíram através dos anos. Em 1989, prestes a completar 60 anos, Sean Connery foi eleito pelos leitores da revista People como "o homem vivo mais sexy". Uma recompensa que o ator recebe com sarcasmo: "Na verdade, não existem muitos homens sexy mortos, não é?", brinca ao ser avisado sobre o prêmio. Apesar de sua morte, até hoje há poucos candidatos - ou talvez nenhum - que possam lhe roubar esse título. 

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