Templo da arte contemporânea de Paris, Pompidou sofrerá reforma de 4 anos para se tornar "engajado"

Já em reforma, o Centro Pompidou de Paris será totalmente fechado para obras entre setembro de 2023 e 2027.
Já em reforma, o Centro Pompidou de Paris será totalmente fechado para obras entre setembro de 2023 e 2027. FRANCOIS GUILLOT AFP/File
Texto por: RFI
7 min

Se você tiver a oportunidade de visitar o icônico Centro Georges Pompidou de Paris até setembro de 2023, não deixe de fazê-lo. A partir desta data, ele entrará em reformas previstas para durarem até 2027 para se tornar um "centro cultural engajado". O anúncio do fechamento total do local entre 2023 e 2027 soou como um trovão no mundo da arte. Para a sua inevitável renovação, o maior centro de arte contemporânea da Europa é obrigado a fechar as suas portas, como conta Serge Lasvignes, presidente do Pompidou nesta entrevista à RFI.

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Por Siegfried Forster

RFI: Você anunciou um fechamento entre o final de 2023 e o início de 2027. Estamos falando de um fechamento entre 3 e 5 anos?

Serge Lasvignes: Precisamente, vamos encerrar em setembro de 2023 e reabrir no decorrer de 2027, ou seja, no nosso 50º aniversário, com todo o valor simbólico que o acompanha. Então, vou deixar você fazer as contas.

O Centre Pompidou-Paris é uma locomotiva da cena da arte moderna e contemporânea. Após esses longos anos de fechamento, como ele pretende retomar sua posição? Seu conceito vai mudar?

Este encerramento vai permitir a realização de obras que são uma garantia de futuro. É fundamental evitar que o Centro Pompidou comece a ter problemas técnicos reais, em nível de segurança, etc. Além disso, você deve evitar que ele pareça um pouco desbotado, ou fora de moda. Tem que ser um Centro Pompidou brilhante.

Muito importante: esse trabalho será acompanhado ao mesmo tempo por uma reflexão sobre um novo projeto de cultura para o Centro Pompidou. Eu já trabalhei nas linhas principais do projeto. Existem quatro componentes principais. Em primeiro lugar, num contexto muito competitivo, o desejo de afirmar ainda mais a já conhecida personalidade do Pompidou: a multidisciplinaridade, no acervo, com a arquitetura, o design, as artes visuais, mas também com sua biblioteca, e o instituto musical Ircam. Devemos aprender a fazer com que todos esses recursos funcionem melhor juntos.

Também estou falando de personalidade, porque o Centro Pompidou vai ser um centro comprometido com alguns preceitos. Definimos linhas de engajamento nas áreas de igualdade, gênero, proteção do clima ... Vamos trabalhar muito seriamente nisso.

Qual será o segundo eixo estratégico?

É fazer do Centro Pompidou uma “casa amiga”, isto é, um local onde a relação com o visitante seja mais convivial, mais participativa, mais calorosa. Esta obra será a ocasião de equipar o Fórum, a entrada principal do Centro Pompidou, e todos os espaços comuns, para que sejam verdadeiros espaços de convivência onde nos encontramos com a arte e a atividade cultural.

Qual será o terceiro eixo conceitual?

Trata-se de garantir que usaremos os recursos digitais da maneira mais inteligente possível. Tanto para se preparar para a visita, para continuar o trajeto dentro do centro, ou mesmo após a visita, o relacionamento com o visitante, mas também haverá tecnologia digital para produzir novos objetos.

Em fevereiro, você verá uma exposição chamada "Kandinsky", produzida com o Google Arts & Culture. Este é um novo tipo de exposição. Não filmamos apenas uma exposição real, mas fizemos uma exposição digital usando os arquivos muito ricos que temos no centro sobre Kandinsky.

E o quarto?

É poder ser um operador cultural global, ou seja, também fazer consultoria, engenharia, em benefício de todos esses novos museus que abrem em todos os continentes, sabendo fazer exposições no exterior. Tudo isso deve estar consolidado em um projeto global.

Este é o projeto que vamos desenvolver quando reabrirmos em 2017. A tecnologia digital ocupará, portanto, um lugar muito importante no novo projeto cultural do Centro Pompidou. O orçamento das obras é de € 200 milhões.

Qual é o orçamento previsto para a oferta digital durante este trabalho?

Os orçamentos ainda não foram definidos, nem durante a obra nem depois. O certo é que este período de encerramento nos levará a fazer realocações no nosso orçamento. Na operação, haverá despesas que diminuirão enormemente. Principalmente todos aqueles que giram em torno de exposições, porque durante os trabalhos, não estaremos expondo no centro. Faremos parceria com outras instituições.

Portanto, haverá uma redistribuição de nossos recursos que nos permitirá fortalecer nossos esforços para o digital. Desde o momento em que cheguei, tornei o digital uma prioridade. Em particular, solicitei a reformulação do site, o que foi muito interessante em relação a profundidade e digitalização das obras, mas que não achei adequado para manter uma boa relação com o público.

Há alguns meses, lançamos um novo site que considero muito promissor. Instalamos uma revista de notícias lá que pode continuar durante o fechamento. E vamos aproveitar esse fechamento para embarcar em novos projetos.

Por exemplo ?

Produzimos, por exemplo, um serious game, um videogame para aprender arte, que faz muito sucesso. Acabamos de abrir um curso online, um Mooc, sobre a mulher na pintura, na abstração. Já temos mais de 13.000 cadastrados. Essas são realmente escolhas para o futuro.

Como você vai manter o relacionamento físico com seu público durante o fechamento do Pompidou para reformas? O Grand Palais, durante o seu encerramento, beneficiará de um Grand Palais efêmero instalado no Champs-de-Mars. Haverá um Centre Pompidou efêmero instalado no centro de Paris?

O certo é que haverá uma biblioteca pública efêmera para a nossa biblioteca pública, que, em termos de capacidade de utilização, é a maior biblioteca pública de leitura de Paris. Para ela, é absolutamente essencial encontrar instalações no centro de Paris. Procuramos os 10.000 metros quadrados necessários.

Para o museu, as exposições, as mostras, a prioridade serão as parcerias. A prioridade máxima será a descentralização, ou seja, parcerias mais profícuas, com grandes instituições e comunidades locais. Estamos em processo de instalação em Massy, ​​em Essonne. Vamos instalar lá um Centre Pompidou Ile-de-France (da região parisiense), um lugar onde vamos desenvolver novas formas, um novo projeto cultural para públicos que não necessariamente vêm ao centro de Paris. 

Depois disso, precisaremos de um endereço em Paris? Estamos pensando nisso. Para exposições, é mesmo necessário? Podemos trabalhar com o Museu d'Orsay, com o Museu do Louvre, com o Museu do Quai Branly, com os museus da cidade de Paris. Temos que pensar sobre isso. Da mesma forma com a nossa programação de cinema e espetáculos, não podemos fazer parcerias interessantes com outras instituições? Precisamos de um recurso imobiliário específico de qualquer maneira? Estamos pensando nisso.

A diferença com o Grand Palais é que o Grand Palais efêmero não será usado apenas para eventos culturais, mas principalmente para eventos comerciais.

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