Je t'aime... moi non plus: França lembra 30 anos da morte de Serge Gainsbourg

Trinta anos após sua morte, Serge Gainsbourg ainda inspira vários artistas.
Trinta anos após sua morte, Serge Gainsbourg ainda inspira vários artistas. Getty images/Ulf Andersen

Esta terça-feira (2) marca o aniversário de 30 anos da morte de Serge Gainsbourg, um dos maiores ícones da música francesa. Tão prolífico quando polêmico, ele inspira até hoje gerações de artistas na França e no exterior. O projeto de um museu está previsto para celebrar seu talento e sua ousadia. 

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Em 2 de março de 1991 a França perdia Serge Gainsbourg, vítima de um ataque cardíaco. Desde então, sua residência na rue de Verneuil, no chique 7° distrito de Paris, se tornou local de peregrinação dos fãs, que passam discretamente diante dos muros pichados.

Serge Gainsbourg, que na verdade se chamava Lucien Ginsburg, começou sua carreira nos anos 1950, seguindo os passos de seu pai como pianista nos bares do bairro de Saint-Germain-des-Prés, não muito longe de onde terminou sua vida. Influenciado pela literatura, rapidamente ele compõe suas próprias músicas, se inspirando dos clássicos, injetando ironia e trocadilhos e brincando com alusões eróticas em seus textos.

Suas músicas agradam e, desde os anos 1960, ele começa a compor para as cantoras e atrizes da época, de Juliette Gréco a France Gall, passando por Françoise Hardy e até Brigitte Bardot, com quem teve uma relação amorosa.

Mas a grande paixão de sua vida foi Jane Birkin, uma de suas quatro esposas, para quem compôs sucessos como "Je t'aime… moi non plus" e "69 année érotique", canções que marcaram uma geração. A lista de seus sucessos conta ainda com "Ballade de Melody Nelson", "Je suis venu te dire que je m’en vais" e "Sea, Sex and Sun", entre muitas outros.

Hino francês em ritmo de reggae

Provocador, Gainsbourg criou várias polêmicas durante sua carreira. Por exemplo, ao gravar "La Marseillaise", o hino nacional francês, em ritmo de reggae, irritando os militares, que viam na obra um ataque ao patrimônio do país.

Com suas orelhas de abano e seu olhar sonolento, suas passagens pelos programas de televisão na década de 1980 foram marcadas por escândalos. O cantor queimou uma nota de 500 francos diante das câmeras e fez uma proposta indecente para a então jovem Whitney Houston que chegou a ser cult no mundo pré-Me Too. Com a filha Charlotte, na época adolescente, ele gravou “Lemon Incest”, cujo clipe provoca mal-estar nos dias de hoje.

Inspiração para gerações de artistas

Apesar das polêmicas, inúmeros são os artistas que afirmam se inspirar da obra de Gainsbourg. Na França, cantores, como Benjamin Biolay, Étienne Daho, Alex Beaupain ou ainda Lord Esperanza não escondem à admiração pelo mestre. Enquanto Massive Attack, Arctic MonkeysFranz Ferdinand ou encore Jarvis Cocker não negam a influência do francês. Várias de suas canções também foram gravadas no exterior, em inglês, mas também em italiano e japonês.

Sua filha Charlotte, que também segue os passos do pai na música, comprou a casa onde Serge passou seus últimos dias e vai transformar o local em um museu. Às vésperas do aniversário de sua morte, a família do cantor informou que a inauguração prevista para esta semana, teve que ser adiada em razão da reforma que levou mais tempo que previsto.

Mas como tudo com o cantor é diferente, o atraso não surpreendeu ninguém. No entanto, quando a “Maison Gainsbourg” começar a funcionar, os fãs discretos que peregrinam na calçada da rue de Verneuil vão poder finalmente conhecer um pouco mais da intimidade do ídolo.

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