Filme brasileiro ganha prêmios da crítica em festival de cinema de Toulouse

Cena do longa-metragem brasileiro Casa de Antiguidades, dirigido por João Paulo Miranda, premiado no Festival de Toulouse.
Cena do longa-metragem brasileiro Casa de Antiguidades, dirigido por João Paulo Miranda, premiado no Festival de Toulouse. Carlos Eduardo Carvalho

“Casa de Antiguidade”, do cineasta  brasileiro João Paulo Miranda Maria, venceu o prêmio Fipresci, da Federação Internacional de Imprensa, no 33° Cinelatino, Encontros de Toulouse, no sudoeste da França, anunciado neste domingo (28). O Grande Prêmio do Público foi para “La Chica Nueva”, de Micaela Gonzalo, da Argentina.

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De Patricia Moribe

“Casa de Antiguidade” é um filme autoral, denso, centrado na forte presença de Antonio Pitanga, nome de proa do Cinema Novo. Ele é um forasteiro de Goiás, que se vê num enclave conservador e racista no sul do Brasil. O filme foi o único longa-metragem entre os 56 selecionados para o Festival de Cannes do ano passado, que acabou sendo cancelado.

O longa do brasileiro também levou o prêmio SFCC (Sociedade Francesa de Críticos de Cinema), que elogiou “Casa de Antiguidades” por ser “um filme rico, que impressiona por sua grande audácia politica e formal, onde se cruzam onirismo e denúncias contra o racismo e o capitalismo liberal”.

 

"Casa de Antiguidade" premiado no Cinelatino de Toulouse.
"Casa de Antiguidade" premiado no Cinelatino de Toulouse. © cinelatino

 

Logo após o anúncio dos prêmios, João Paulo declarou à RFI Brasil: "O festival de Toulouse foi onde apresentei o projeto quando ainda o escrevia na Residence Cinéfondation, e depois, quando ainda estava em montagem, ganhamos um outro prêmio de distribuição. Um festival muito importante para história do meu primeiro longa e agora receber tanto a menção do sindicato francês de crítica quanto o prêmio Fripesci é algo extraordinário, de singular honra".

O Brasil também levou o prêmio revelação de curta metragem de ficção, com “Inabitável”, de Matheus Farias e Enock Carvalho. No mundo prestes a sofrer uma reviravolta por causa da pandemia, o filme pernambucano acompanha a busca de uma mãe por sua filha trans, em meio a inquietações sobre a violência da qual é vítima a sociedade LGBT no Brasil.

Filmes latinos refletem crise

O Grande Prêmio do Público foi para o argentino “La Chica Nueva”. A história gira em torno da jovem Jimena, que, sem opções e recursos na cidade grande, decide ir para o extremo sul do país, para encontrar o meio-irmão Mariano. No clima inóspito da Terra do Fogo, ela continua sendo vítima da avassaladora crise econômica, ao mesmo tempo em que cria laços humanos as pessoas ao redor e tem valores revisitados.

O prêmio do júri foi para o mexicano “Nouvel Ordre” (Nova Ordem), de Michel Franco, a respeito de um futuro mundo não muito otimista, marcado por tensões sociais. O ator chileno Alfredo Castro recebeu uma menção especial pelas atuações em “Karnawal”, de Juan Pablo Félix, e “Tiengo Medo Torero”, de Rodrigo Sepúlveda.

 

Em "Tengo Miedo Torero", filme chileno de Rodrigo Sepúlveda, o ator Alfredo Castro vive uma travesti que se envolve com um ativista em plena ditadura Pinochet.
Em "Tengo Miedo Torero", filme chileno de Rodrigo Sepúlveda, o ator Alfredo Castro vive uma travesti que se envolve com um ativista em plena ditadura Pinochet. © Divulgação

 

Neste último, Castro vive um solitário transvesti avesso à política, mas que se envolve com um envolvente arquiteto subversivo, em plenos anos de chumbo da ditadura Pinochet. “Tengo Miedo Torero” foi vencedor do prêmio La Dépêche do Midi.

Esta primeira parte do festival Cinelatino aconteceu totalmente online por causa da pandemia. Os organizadores esperam que a segunda parte, prevista para 9 a 13 de junho, aconteça com projeções e público.

 

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