Especialistas comemoram descoberta de cidade de 3.000 anos soterrada no Egito

Uma cidade de 3.000 anos foi descoberta no Egito (8/4/21).
Uma cidade de 3.000 anos foi descoberta no Egito (8/4/21). AFP - -

Uma missão arqueológica egípcia descobriu a "maior cidade antiga do Egito", com mais de 3.000 anos. Betsy Bryan, professora de arte e arqueologia egípcia na Universidade Johns Hopkins, no Reino Unido, disse que o achado foi a "segunda descoberta arqueológica mais importante desde a tumba de Tutancâmon" há quase um século. Partiu do egiptólogo Zahi Hawass o anúncio da descoberta da "cidade dourada perdida" perto de Luxor, onde fica o lendário Vale dos Reis. 

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Segundo o especialista, a missão “descobriu uma cidade soterrada que data do reinado do rei Amenófis III e que continuou sendo usada pelo rei Tutancâmon, ou seja, há 3.000 anos". O anúncio foi feito por meio de comunicado divulgado na quinta-feira (8).

Amenófis III, que subiu ao trono em 1.391 a.C., morreu em 1.353 a.C.. Na cidade, foram encontrados objetos, como joias e peças de cerâmica com seu selo, que permitiram confirmar a datação, diz a nota.

É "a maior cidade antiga do Egito", segundo Hawass, citado no comunicado.

A missão começou as escavações em setembro de 2020 entre os templos de Ramsés III e Amenófis III, perto de Luxor.

Joias, potes de cerâmica colorida, amuletos de besouro e tijolos de barro com os selos de Amenófis III apareceram nas escavações.

"Muitas missões estrangeiras buscaram esta cidade e nunca a encontraram", disse Hawass, ex-ministro de Antiguidades do Egito, nomeado em 2011 por Hosni Mubarak.

Objetos da vida cotidiana

"Em algumas semanas, para grande surpresa da equipe, as edificações começaram a aparecer", relata o comunicado. "O que desenterraram foi o local de uma grande cidade em bom estado de conservação, com paredes quase inteiras e cômodos cheios de ferramentas da vida cotidiana", completa o texto.

Após sete meses de escavações, vários bairros foram descobertos, incluindo uma padaria com fornos e cerâmica de armazenamento, assim como áreas administrativas e residenciais.

Amenófis III herdou um império que se estendia do rio Eufrates, nos atuais Iraque e Síria, até o Sudão, e morreu por volta de 1354 a.C., segundo historiadores da Antiguidade.

Governou por quase quatro décadas, um reinado conhecido por sua opulência e pela grandeza de seus monumentos, incluindo os colossos de Mêmnon, duas enormes estátuas de pedra perto de Luxor que retratavam o monarca e sua esposa.

"As camadas arqueológicas permaneceram intactas por milhares de anos, deixadas pelos antigos residentes como se fosse ontem", celebra o comunicado da equipe.

Bryan afirma que a cidade permitirá "nos oferecer uma visão geral incomum da vida dos antigos egípcios durante as horas mais luxuosas desse reinado”.

Expectativa de novas descobertas

A equipe se mostrou otimista quanto à possibilidade de que apareçam mais descobertas importantes, acrescentando que foram encontrados grupos de túmulos, aos quais se chegava através de "escadas esculpidas na rocha". Trata-se de uma construção similar às encontradas no Vale dos Reis.

"A missão espera descobrir tumbas intactas cheias de tesouros", acrescentou o comunicado.

Depois de anos de instabilidade política após a revolta da chamada Primavera Árabe de 2011, um duro golpe para a indústria turística egípcia, o país tenta recuperar visitantes. A promoção de seu patrimônio antigo é um dos caminhos.

Na semana passada, o Egito transportou os restos mortais mumificados de 18 antigos reis e quatro rainhas pelo Cairo, do emblemático Museu Egípcio para o novo Museu Nacional da Civilização Egípcia, em uma procissão batizada de "Desfile Dourado dos Faraós". Entre os 22 corpos estavam os de Amenófis III e de sua mulher, a rainha Tiy.

(Com informações da AFP)

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