Dia da língua portuguesa: Consulado de Genebra organiza Olimpíada do idioma para brasileirinhos da Suíça

Cartaz da Olimpíada do português como língua de herança, que acontece em Genebra.
Cartaz da Olimpíada do português como língua de herança, que acontece em Genebra. © Fotomontagem RFI/Associação Raízes

Essa quarta-feira marca o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Este ano, para incentivar o cultivo do idioma falado por 260 milhões de pessoas nos cinco continentes, o Consulado-Geral do Brasil em Genebra organiza uma olimpíada do idioma, da qual participarão brasileirinhos e brasileirinhas que moram na Suíça.

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Valéria Maniero, correspondente da RFI em Genebra

O português é a quarta língua mais falada no mundo, atrás apenas do mandarim, inglês e espanhol. O idioma é praticado dentro dos países lusófonos, mas também pelas diferentes diásporas que o cultivam pelo mundo, inclusive entre as crianças.

Foi pensando nesse público que o Consulado-Geral do Brasil em Genebra decidiu organizar a Olimpíada de Português como Língua de Herança. O evento visa incentivar o interesse das crianças e adolescentes pelo estudo do idioma, mas também pelo Brasil e sua cultura.

A Olimpíada de Português como Língua de Herança é realizada em parceria com a Associação Raízes, que ensina o idioma e a cultura do Brasil na Suiça há mais de 20 anos. As provas estão marcadas para os dias 26 de maio e 9 de junho. A premiação, com entrega de medalhas, será em setembro.

A cônsul-geral do Brasil em Genebra, Susan Kleebank, disse à RFI que a iniciativa, lançada este ano pelo Ministério das Relações Exteriores, é voltada a todos os países onde há embaixadas e consulados.

“Na Suíça, os consulados-gerais em Zurique e em Genebra estão em coordenação com as associações que ensinam o português (ABEC e Associação Raízes) para realizar as provas. Na semana da Pátria, em setembro, as crianças serão premiadas. Seus trabalhos escritos vão ser, em seguida, publicados e divulgados. Será uma grande festa de consagração da língua e da cultura nacional”, explicou.

Cônsul do Brasil em Genebra, Susan Kleebank, falou com a RFI sobre a Olimpíada de português
Cônsul do Brasil em Genebra, Susan Kleebank, falou com a RFI sobre a Olimpíada de português © Divulgação

Segundo ela, crianças de 9 a 15 anos, divididas em duas categorias de idades e provas, já se preparam para o evento. “Isso representa lembrar do Brasil e estudar sobre aspectos diversos da língua e da cultura, um grande incentivo à manutenção dos vínculos e do carinho pelo nosso país, que tem o tamanho de um continente, onde mais de 212 milhões de pessoas falam a mesma língua. E é esta mesma língua, o português, que nos aproxima de todos os demais integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), ampliando ainda mais a importância de que seu ensino seja promovido”, afirma.

Adolescentes empolgados com a prova

Valentina Stadelmann, de 12 anos, se empolgou quando a professora de português comentou sobre o evento. A garota falou com a mãe, que inscreveu ela e a irmã, Victoria Beatriz, de 10 anos. As duas são alunas da Associação Raízes e estudam português em Genebra.

“Para mim, vai ser um desafio. Vou poder praticar mais um pouco o português. Estou empolgada e quero saber como vão ser as provas. Espero que seja fácil”, diz a adolescente, que nasceu em Genebra, é filha de mãe brasileira e tem todos os familiares no Brasil.

“Falar português me faz pensar na minha família e no Brasil, que representa tudo para mim. Faz três anos que não vou para lá”, conta.

Wagner, Valentina e Victoria, alunos da Raízes, vão participar da olimpíada de português
Wagner, Valentina e Victoria, alunos da Raízes, vão participar da olimpíada de português © Valéria Maniero

A irmã Victoria diz que a mãe, que fala mais francês em casa, a incentivou a participar. “Acho que é importante aprender português porque é no Brasil que moram meus avós e primos. Quero falar português porque eu venho desse país que é lindo”, diz a menina, torcendo para que a prova seja fácil. Mas se não for, “tudo bem”, pois o que vale é tentar, explica.

Wagner Gael Santoro, de 10 anos, que veio para a Suíça com 6 meses, mas fala português fluentemente, diz que sempre quis participar de um concurso assim. “Eu queria fazer e meus pais (o pai é do Rio de Janeiro e a mãe de João Pessoa) também queriam que eu fizesse. Gosto de ler, não muito de escrever, mas a língua portuguesa é uma paixão, é muito bonita”, diz o adolescente, que também estuda português em Genebra.

A professora Rita Dorneles, da Associação Raízes, que junto com o Consulado está à frente desse evento na Suíça Romanda, falou com a RFI sobre a importância desse tipo de iniciativa. Segundo ela, o evento “agrega valor à língua de herança falada em casa e movimenta a comunidade em prol da língua e da cultura do Brasil de uma forma diferenciada do carnaval e do futebol, já tão estereotipados”.

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