Eurovision: Refugiado africano é alvo de racismo ao representar Suécia em concurso musical

O cantor Tusse representa s Suécia no concurso Eurovision
O cantor Tusse representa s Suécia no concurso Eurovision © AP - Henrik Montgomery

A cidade de Roterdã, na Holanda, acolhe no final de maio o Eurovision, um dos concursos musicais mais famosos da Europa. Mas esta edição do evento, que deveria ser um momento de celebração após ter sido adiado no ano passado por causa da pandemia de Covid-19, já é palco de polêmicas. A escolha de um refugiado do Congo para representar a Suécia não agradou a todos e foi alvo de críticas racistas nas redes sociais.

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Frédéric Faux, correspondente da RFI na Suécia

Tousin Chiza, mais conhecido como Tusse, foi escolhido para representar a Suécia no concurso, que acontece entre 18 e 22 de maio, após o sucesso de sua passagem pela versão local do programa de televisão Ídolos. Ele concorre no Eurovision com “Voices”, música cantada em inglês e que prega, entre outras coisas, a tolerância. Mas a mensagem não parece ter sido compreendida por todos, pois o jovem vem sendo alvo de uma verdadeira campanha de ódio nas redes sociais.

A principal razão é a nacionalidade de Tusse. O jovem de 19 anos, que aprendeu a cantar em corais de igrejas, nasceu no Congo, foi separado de seus pais e enviado para um campo de refugiados em Uganda, antes de chegar na Suécia, onde vive há 11 anos. E, para alguns suecos, um africano, negro, não seria o melhor candidato para representar o país escandinavo.

Desde que as primeiras imagens dos ensaios de Tusse em Roterdã foram divulgadas, inúmeras mensagens com insultos racistas começaram a ser postadas nas redes sociais. A onda de intolerância ganhou tal força que a delegação sueca teve que emitir um comunicado oficial, apoiando o candidato.

O episódio mostra que a população local ainda não digeriu a chegada em massa de refugiados na Suécia em 2015. Junto com a Alemanha, o país era um dos destinos preferidos dos migrantes que entravam clandestinamente no bloco europeu fugindo da fome e muitas vezes da guerra. E os suecos chegaram a ser elogiados por sua política migratória. Mas esse episódio envolvendo o cantor africano é visto como um sinal de que nem todos são tolerantes.

Polêmicas do Eurovison

O Eurovision é um concurso transmitido ao vivo em toda a Europa. Participam principalmente países europeus, mas nações como Israel e até Austrália já chegaram a enviar candidatos. O vencedor é escolhido pelo público e, quem ganha, acolhe a edição do ano seguinte.

O evento é um sucesso na Suécia, que já venceu a competição seis vezes. Também foi graças ao programa que o mundo passou a conhecer o grupo Abba, ganhador da edição de 1974 e um dos orgulhos dos suecos.

Mas o concurso, que existe desde 1956, também foi objeto de algumas polêmicas durante sua história, já que o palco do programa é muitas vezes usado como palanque de reivindicações políticas ou de manifestações que nem sempre agradam. Em 1998, a cantora trans Dana Internacional venceu a competição representando Israel e provocou a ira de integristas religiosos. Já em 2017, a Rússia foi proibida de participar por causa de seu conflito com a Ucrânia, que acolhia o evento.

Este ano, além de Tusse, a participação do Chipre deve dar o que falar. O pequeno país concorre com uma canção intitulada El Diablo, interpretada por Elena Tsagrinou. Uma escolha que provocou indignação em parte da população da ilha de religião ortodoxa. A tal ponto que a televisão pública local foi vítima de ameaças ao transmitir o clipe da canção.  

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