Bilionário François Pinault inaugura novo museu de arte contemporânea em Paris

O prédio histórico da Bolsa do Comércio dialoga com a arquitetura de linhas puras de Tadao Andō
O prédio histórico da Bolsa do Comércio dialoga com a arquitetura de linhas puras de Tadao Andō AFP - CHRISTOPHE ARCHAMBAULT

François Pinault, uma das maiores fortunas da França, inaugurou neste sábado (22) seu mais novo museu. O bilionário, conhecido por sua coleção de arte contemporânea, expõe parte de suas peças na Bourse de commerce, prédio emblemático no centro de Paris, reformado pelo arquiteto japonês Tadao Andō. O mundo das artes vê essa abertura como a inauguração do ano.

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Com informações de Muriel Maalouf

O museu que abre suas portas no prédio que abrigava da Bolsa de Comércio poderia ter sido inaugurado há mais de 15 anos, quando o milionário tentou instalar sua coleção em uma ilha no rio Sena, nos arredores da capital. Mas a burocracia francesa bloqueou o projeto na época e o empresário se irritou. Resultado: ele levou parte de suas obras para Veneza, onde comprou o Palazzo Grassi e a Ponta da Duana para construir um dos mais belos espaços de exposição da cidade italiana.

Mas para Pinault, que construiu um império do mundo do luxo com o grupo Kering (conglomerado que reúne marcas como Gucci ou Saint Laurent), a burocracia até poderia atrasar seu projeto, mas não enterrá-lo. E voilà que, aos 84 anos, ele finalmente inaugura seu museu parisiense.

A abertura acontece em um momento importante para o mundo das artes, já que o local começa a acolher seus primeiros visitantes na mesma semana em que museus, teatros e cinemas reabrem suas portas após meses fechados por causa da pandemia. Um timing perfeito que dá ao projeto ares de renascimento. 

Prédio histórico, mas com projeto moderno

A escolha do lugar não poderia ser mais emblemática: nessa mesma praça vivia Catherine de Médicis, uma das mulheres mais poderosas da Europa no século XVI que, como Pinault, também foi uma grande mecena. O local ainda preserva as colunas da época, mesmo se a construção redonda, que vista de fora mais parece uma arena, data dos século XVIII.

Porém, mesmo se quem entra no novo museu vê os vestígios do passado, o que também salta aos olhos é o trabalho de Tadao Andō, arquiteto japonês que teve a ideia de construir uma estrutura redonda em cimento – um círculo dentro do círculo – para dar uma cara contemporânea ao ambicioso projeto de Pinault. O arquiteto, que já trabalhou com o francês nos museus de Veneza, impressiona mais uma vez por sua capacidade de fazer dialogar construções históricas com suas linhas puras e materiais relativamente neutros.  

Do lado de dentro o público vai poder conhecer um pouco da coleção do francês, que conta com alguns dos principais nomes do mundo das artes. Mas a mostra que marca a inauguração destaca principalmente o trabalho de David Hammons, artista afro-americano pouco conhecido na Europa.

Pinault evitou o efeito name dropping na inauguração e preferiu deixar na reserva suas pepitas assinadas Jeff Koons ou Damien Hirst. Mas essas obras certamente serão apresentadas no futuro, em um museu que tem tudo para se tornar passagem obrigatória para os fãs de arte contemporânea que visitam Paris.

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