Cannes homenageia cinema brasileiro ao convidar Kléber Mendonça Filho para integrar júri

A Palma de Ouro do Festival de Cannes é apresentada na véspera do começo da 74a edição.
A Palma de Ouro do Festival de Cannes é apresentada na véspera do começo da 74a edição. REUTERS - GONZALO FUENTES

Depois de adiado e finalmente cancelado no ano passado, por causa da pandemia, o Festival de Cinema de Cannes começa nesta terça-feira (6), sua 74ª edição, em versão presencial. O norte-americano Spike Lee é o presidente do júri deste ano, do qual o brasileiro Kléber Mendonça Filho é um dos integrantes.

Publicidade

Por Patricia Moribe, enviada especial a Cannes

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (5), o diretor do Festival de Cannes, Thierry Frémaux, declarou que o evento francês vem buscando a diversidade há muito tempo. “A seleção reflete isso”, disse, referindo-se aos 24 longas que disputam a Palma de Ouro, vindos da Europa, África, Oriente Médio, América do Norte e Ásia. Este ano nenhum filme latino-americano foi selecionado.

Assim como a escolha do ator Song Kang-Ho, do filme “Parasita”, como integrante do júri foi uma forma de homenagear o cinema coreano, a presença de Kléber Mendonça Filho é uma reverência ao cinema brasileiro, explicou Frémaux.

A presença de Kléber Mendonça Filho é uma “homenagem ao Brasil e ao cineasta, que já participou da competição oficial duas vezes e que no momento está muito abalado com a pandemia que assola o Brasil”, declarou Frémaux. “Vale lembrar que Kléber denunciou o golpe de Estado contra Dilma Rousseff no tapete vermelho de Cannes”, acrescentou.

“O Brasil tem um grande cinema, temos visto ótimos filmes, mas infelizmente nenhum foi selecionado este ano” para a competição pela Palma de Ouro, lamentou o diretor do festival.

Fremaux frisou a importância de “ir além”, através do cinema, também pela escolha dos convidados. “É uma maneira de homenagear o engajamento dos artistas”.

Um presidente negro e uma maioria feminina

Sobre Spike Lee, Frémaux lembra que é a primeira vez que um artista negro é presidente do júri de Cannes. Ele acrescentou que “é a primeira vez também que um júri presidido por um homem tem uma maioria de mulheres como integrantes”.

Ele lembrou, por exemplo, que quando a atriz inglesa Olivia de Havilland foi presidente do júri, em 1965, o júri era majoritariamente masculino. “E também foi o caso quando a atriz Jeanne Moreau e a escritora Francoise Sagan foram presidentes”. Moreau foi presidente do júri duas vezes, em 1975 e 1995, e Sagan em 1979.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.