Filósofo francês Edgar Morin completa 100 anos e é recebido por Macron

Sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, em solenidade em sua homenagem na Unesco, em Paris. (02/07/2021)
Sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, em solenidade em sua homenagem na Unesco, em Paris. (02/07/2021) AP - Michel Euler

O filósofo francês Edgar Morin completa 100 anos nesta quinta-feira (8). Ele será recebido pelo presidente Emmanuel Macron, em uma festa para homenagear um homem que “honra a França”, conforme um comunicado do Palácio do Eliseu.

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A celebração contará com uma centena de convidados, em Paris. Macron fará um discurso para parabenizar “aquele que entrou na Resistência [contra o nazismo] antes dos 20 anos, seus engajamentos em favor da ‘Terra Pátria’ por mais de 50 anos e suas contribuições para a compreensão dos homens e do mundo, enquanto humanista e europeu convicto”, complementou o comunicado, acrescentando que Morin é “um dos pensadores franceses mais eminentes e mais conhecidos do mundo”.

Pioneiro da ecologia e do conceito de “economia ecologizada”, o sociólogo denuncia há décadas os “obcecados pelo lucro” e “o consumo excessivo de produtos inúteis”. Em entrevista à emissora FranceInfo, publicada nesta quinta-feira, ele afirma que “não temos a consciência lúcida de que caminhamos em direção ao abismo”.

Empatia pelos coletes amarelos

Em março de 2018, Morin assinou um artigo elogioso ao presidente francês, no qual saudava a sua capacidade de “ser um intelectual literária e filosoficamente culto e um homem que fez carreira na antítese da filosofia, no banco e nas finanças”. Mas no seu último livro, “Lições de um século de vida”, publicado em junho, ele exprime simpatia pelos opositores mais radicais de Macron, os integrantes do movimento dos coletes amarelos.

“Protestos, cólera e revoltas populares, como o movimento dos coletes amarelos, têm entre seus participantes, mas não unicamente eles, a necessidade de serem reconhecidos na sua plena qualidade humana – o que chamamos de dignidade”, escreveu. “Peço aos jovens para lutar contra todas as forças de ódio e de desprezo”, afirmou à FranceInfo.

Edgar Morin nasceu em Paris em 8 de julho de 1921, em uma família judia, e se tornou um dos maiores intelectuais do século 20. Aos 100 anos, ele permanece ativo. No Twitter, o sociólogo se alterna entre mensagens reflexivas, sobretudo sobre a crise sanitária e a ascensão da extrema direita, e retuítes de memes engraçados de animais.

Reflexões sobre a pandemia e o mundo no século 21

Para ele, a crise gerada pela pandemia revelou uma violência que o fim dos grandes conflitos entre os países jamais conseguiu cessar. “Deveríamos buscar uma vacina contra a raiva especificamente humana, porque estamos em plena epidemia””, escreveu.

Questionado sobre o paralelo possível entre a França dos anos 1930, no pré-guerra, e os tempos atuais, Morin avalia que naquela época, “os perigos cresciam sem cessar e vivíamos quase como sonâmbulos, sem perceber”. “Mas o tipo de perigo hoje é completamente diferente. Hoje, há muito mais perigos, eles são múltiplos: o nuclear, o econômico, o da dominação do dinheiro por todo o lado. Temos crises de democracias, como as que tivemos na época, e que hoje são igualmente graves”, respondeu, à emissora francesa.

Morin também parece encarar com serenidade a possibilidade de chegada do fim da sua vida. “O barco de Caronte se aproxima de mim”, disse, em referência ao navegador que leva a alma dos recém-falecidos, conforme a mitologia grega. “Eu preferiria passar o verão do que Lete”, brincou, fazendo um trocadilho em francês com outra figura mitológica, o esquecimento.

Com informações da AFP

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