OCDE/Economia

Retomada da economia mundial será mais lenta que prevista, diz OCDE

Economistas da OCDE não sabem se a desaceleração da economia mundial será temporária.
Economistas da OCDE não sabem se a desaceleração da economia mundial será temporária. ©Reuters

A retomada da atividade econômica mundial será mais lenta que o previsto e o crescimento dos países que compõe o G7- grupo das maiores economias do planeta– deverá cair para 1,5% no segundo semestre de 2010, informa o relatório da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgado nesta quinta-feira, em Paris.

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As previsões anteriores realizadas no mês de maio previam um crescimento mundial de 2,7% em 2010 e 2,8% em 2011. O novo relatório da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico não faz previsões anuais, mas estima que o crescimento dos países do G7 não deve passar de 1,5% neste segundo semestre de 2010. Em maio, a OCDE previa 1,75%.

 

Entre os países, os Estados Unidos deve ter um crescimento de 2% do seu produto interno bruto no terceiro trimestre de 2010. Em seguida, vem o PIB do Japão, que deve crescer 0,6% durante o mesmo período. Quanto aos países europeus, o PIB das três primeiras economias da zona euro, Alemanha, França e Italia, deverá subir apenas 0,4%.

“Ainda é difícil afirmar se essa ‘falta de fôlego’ da retomada será temporária ou se é um sinal de uma fraqueza mais profunda… no momento em que as medidas de incentivo estão chegando ao fim", declarou Pier Carlo Padoan, economista chefe da OCDE, durante a apresentação do documento.

Apesar de um crescimento menor do que o previsto, o relatório diz que é pouco provável que haja uma nova recessão econômica. Como pontos positivo, o estudo destaca que situação financeira mundial é estável e que os investimentos privados não devem diminuir nos próximos meses.

Zona Euro

Após uma boa performance da economia da zona euro no segundo trimestre do ano, especialmente da Alemanha, o bloco vai frear sua atividade nos próximos 6 meses.

Segundo a OCDE, as três principais economias – Alemanha, França e Itália – devem apresentar um crescimento do PIB real de 0,4% no terceiro trimestre e 0,6% no trimestre seguinte.

“Se a desaceleração atual for temporária, seria sensato adiar o desmantelamento das medidas de apoio monetário, mas continuando o processo de saneamento das finanças públicas como previsto para enfrentar situações orçamentárias insustentáveis”, disse Padoan.

Para os economistas da OCDE, alguns indicadores sinalizam prudência como os altos custos para os bancos dos seguros para casos de falências. Entre os fatores de riscos identificados pelos especialistas estão as incertezas que circulam nos mercados da dívida soberana e seus possíveis efeitos negativos sobre o sistema financeiro. Outro tema de preocupação é a evolução da taxa de desemprego que pode afetar o nível de consumo.
 

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