FMI/Crise

FMI alerta sobre responsabilidade dos emergentes e quer evitar “guerra cambial”

Em Washington, o diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, declarou que está pronto para ajudar a resolver a guerra cambial, que ameaça o crescimento mundial.
Em Washington, o diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, declarou que está pronto para ajudar a resolver a guerra cambial, que ameaça o crescimento mundial. Reuters

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, declarou nesta quinta-feira que está pronto para ajudar a resolver a guerra cambial, que ameaca o crescimento mundial. Ele também alertou sobre a responsabilidade dos países emergentes para o equilíbrio do sistema econômico mundial.

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Com colaboração de Raquel Krähenbühl, de Washington,

“Acredito que é legítimo insistir no fato de que quanto mais voz e representatividade tenham os países emergentes no Fundo, mais responsabilidades terão na estabilidade do sistema", disse Strauss-Khan.

Nos últimos dias, o diretor-geral do FMI tem expressado em diversas entrevistas coletivas sua preocupação sobre declarações de certos membros de países emergentes do órgão sobre medidas a serem adotadas diante da depreciação contínua do dólar.

As discórdias sobre as moedas vem crescendo nas últimas semanas. Muitos países ricos acusam Pequim de manter uma política de desvalorização artificial do yuan para estimular as exportações chinesas.

Ontem, durante cúpula União Europeia e China, em Bruxelas, o premiê chinês Wen Jiabao voltou a afirmar que não vai ceder à pressões para flexibilizar o yuan.

Segundo Strauss-Khan, intervir no mercado para alterar o valor das moedas não significa ter uma política contrária ao livre mercado, em uma clara referência à China.

O dirigente defendeu o direito de países preocupados com a entrada excessiva de capitais, como o Brasil, de tomar medidas unilaterais, sem, no entanto, renunciar ao diálogo dentro do G20 (grupo de países avançados e emergentes), para se chegar a acordos.

O ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, se referiu recentemente a uma “guerra das moedas” para ilustrar o que considera uma apreciação injusta do real.

Cooperação

Tanto o diretor-geral do FMI, Dominique Strauss- Khan, quanto o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, alertaram para a importância da cooperação internacional.

Mesmo com o mundo em processo de recuperação depois da maior crise econômica desde a Grande Depressão de 1929, eles afirmaram que não é hora de "virar as costas" para uma ação conjunta e coordenada.

Para Straus- Kahn, o consenso global sobre a necessidade de coordenar as políticas econômicas está diminuindo e isto é uma ameaça para a estabilidade da economia. Ele disse que todos precisam lembrar de que não há uma solução doméstica para um problema mundial.

Raquel Krähenbühl

Os dois voltaram a elogiar o desempenho dos países em desenvolvimento. O diretor do FMI disse que é obvio que a crise já acabou na Ásia e na América do Sul, quando se olha para os crescimentos robustos dos países da região. A expansão da África também foi bem vista.

Mas um tom mais pessimista voltou a prevalecer quando o foco se voltou para o lado dos países desenvolvidos, onde a recuperação econômica é lenta. O líder do Fundo disse que a situação nos Estados Unidos é incerta e que uma segunda recessão ainda é um risco, embora com pouca probabilidade de acontecer.

Segundo o presidente do Banco Mundial, o ritmo lento da retomada econômica em alguns países, principalmente nos desenvolvidos, impede uma queda nas altas taxas de desemprego. E, para ele, o alto desemprego gera outras tensões, até mesmo internacionais, como a tensão cambial.

Straus-Kahn afirmou que muitos estão falando em guerra cambial, e que é justo dizer que muitos países consideram suas moedas como "armas", e isso certamente não é benéfico para a economia global.

 

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