Coreia do Sul/G-20

Países se preparam para guerra cambial no G-20

Iniciou-se neste fim de semana em Seul, o G20, cúpula que reúne representantes dos 20 países com as maiores economias do mundo.
Iniciou-se neste fim de semana em Seul, o G20, cúpula que reúne representantes dos 20 países com as maiores economias do mundo. REUTERS/Jo Yong-Hak

Segundo o porta-voz do comitê presidencial da Coreia do Sul, Kim Yoon Kyung, ainda não há consenso sobre um projeto de rascunho da declaração final do encontro, antecipando o embate entre os participantes.

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A cúpula do G20 começa nesta quinta-feira, mas os negociadores dos países do grupo ainda não conseguiram chegar a um acordo para um projeto de rascunho da declaração final, aumentando assim os temores de uma possível "guerra cambial", expressão utilizada pelo ministro brasileiro das Finanças, Guido Mantega.

Segundo o porta-voz do comitê presidencial da Coreia do Sul, Kim Yoon-Kyung, "cada país manteve sua posição de origem. O tom subiu e ninguém quis ceder", disse ele, que não entrou em detalhes sobre os pontos de divergência. O objetivo do quinto encontro do grupo, que começa nesta quinta-feira, é afastar os perigos do protecionismo, além de reduzir os desequilíbrios econômicos e evitar uma nova recessão mundial. As 20 economias do bloco representam 90% do Produto Interno Bruto mundial e, por enquanto, não chegaram a um consenso sobre o controle das taxas de câmbio.

Para o Brasil, o aumento do comércio entre os países e a diminuição do protecionismo são fundamentais para evitar uma nova crise mundial. O presidente Lula já declarou que as nações ricas devem ser mais atentas à própria situação econômica em vez de adotar medidas cambiais para incentivar as exportações. Uma crítica aberta à decisão do Banco Central americano de injetar cerca de 600 bilhões de dólares no mercado.

Anthony Pereira, diretor do Brazil Institute, University College London

Para Anthony Pereira, diretor do Brazil Institute, da University College London, o Brasil tem razões para se preocupar com essa injeção de capitais. “Essa injeção de dinheiro gera capital de curto prazo que vai para o Brasil, que é relativamente aberto ao fluxo de capitais. O real está valorizado, prejudicando as exportações, e o país fica entre a China e os Estados Unidos."

Segundo o professor Jean Marc Siroen, diretor da Faculdade de Economia Paris Dauphine, especialista em economia internacional, a cúpula do G20 não deve trazer novidades para a consolidação da retomada econômica mundial. "Mas a questão deve ser debatida entre os líderes", diz Jean Marc Siroen, da universidade de Economia Paris Dauphine.

Professor Jean Marc Siroen, diretor da Faculdade de Economia Dauphine.

Enquanto os Estados Unidos exigem uma revalorização da moeda chinesa, o yuan, a China e países europeus acusam os americanos de desvalorizar o dólar para relançar sua economia, o que gera um fluxo de capital especulativo em direção aos países emergentes, colocando em risco sua estabilidade financeira.  A China e a Alemanha recusaram a proposta americana de limitar os excedentes da balança comercial em 4% do PIB, dizendo que não é possível fixar um percentual.

A França, que assume a presidência rotativa do G20 durante a conferência, defende uma reforma do sistema monetário internacional para controlar a guerra de moedas, mas o terreno é complexo e espinhoso.
 

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