Economia

Crise deve afetar sistema bancário português

O primeiro-ministro José Sócrates no parlamento português.
O primeiro-ministro José Sócrates no parlamento português. Reuters

Os bancos portugueses podem ser afetados gravemente se o governo não consolidar as finanças públicas. O alerta foi feito nesta terça-feira pelo Banco Central de Portugal, em seu relatório de estabilidade financeira.

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Segundo o documento, "os riscos para os bancos se tornarão intoleráveis se as medidas para equilibrar as contas públicas de maneira sustentada e duradoura não forem implementadas".

O relatório do Banco Central também afirma que o plano de austeridade aprovado na sexta-feira passada pelo parlamento europeu, que inclui redução do salário mínimo e aumento de impostos, vai frear a economia no ano que vem, embora o impacto negativo seja minimizado pelas exportações.

"Uma desaceleração da economia pode levar à redução do crédito disponível para as empresas e consumidores", diz o documento, que defende a capitalização do sistema bancário como medida para garantir a resistência a choques externos.

Na sexta-feira passada, o parlamento português aprovou o plano de austeridade do governo do primeiro-ministro José Sócrates, que prevê reduzir, já no ano que vem, o déficit no orçamento de 7,3% do PIB, o Produto Interno Bruto do país, para 4,6%.

O plano foi aprovado em meio a rumores de que Lisboa estaria sendo pressionada para recorrer ao «Fundo de Estabilidade Financeira» criado após a crise da Grécia para socorrer os países mais endividados da União Europeia.

Tanto os países europeus quanto Portugal negam as pressões, mas para alguns economistas a questão não é mais saber se Lisboa vai pedir ajuda financeira, mas sim quando fará o pedido.

O premiê Sócrates deve ser reunir nesta terça-feira com dirigentes portugueses para promover as exportações do país, consideradas como um dos principais motores para relançar a economia portuguesa.

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