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FMI elogia medidas do BC para conter alta do real

Dominique Strauss-Kahn, diretor geral do FMI, durante uma entrevista coletiva antes da reuinão anual da Organização em Washington, no dia 7 de outubro de 2010.
Dominique Strauss-Kahn, diretor geral do FMI, durante uma entrevista coletiva antes da reuinão anual da Organização em Washington, no dia 7 de outubro de 2010. REUTERS/Larry Downing

A porta-voz do Fundo, Carolina Atkison, considera que os esforços do Banco Central brasileiro para evitar a especulação da moeda brasileira “são apropriados para reforçar o sistema bancário.”

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O Fundo Monetário Internacional vê otimismo as medidas tomadas nesta quinta-feira pelo Banco Central brasileiro para conter a alta do real. Os bancos brasileiros agora deverão recolher, sob a forma de depósito compulsório, uma garantia equivalente a 60% das suas posições vendidas, as apostas financeiras na queda das taxas.

A estratégia visa evitar que os bancos emprestem dinheiro no exterior, a juros mais baixos, para aplicar no Brasil. A alta do real faz as exportações brasileiras serem menos competitivas nas transações realizadas em dólar. Para o FMI, as medidas macroeconômicas consideradas "de prudência" “são apropriadas para reforçar o sistema bancário brasileiro face ao forte afluxo de capitais”, declarou Caroline Atkinson, porta-voz do fundo.

A representante considera a medida importante para a regulação do câmbio. Na segunda-feira, a moeda brasileira atingiu um pico de 1,65 real por dólar, maior índice desde setembro de 2008.  A previsão é de que ela atinja 1,85 em quatro meses. A alta provocou a reação do Banco Central, que julga que a medida não tem a finalidade de intervir na taxa cambial, mas sim de evitar o risco de exposição dos bancos a uma variação brusca da taxa de câmbio.

Para diversos especialistas, a medida é paliativa e pode até funcionar a curto prazo. O novo governo tenta diminuir o consumo interno e gastar menos. Com menos crédito no mercado, fica mais fácil conter a inflação. A decisão pode não evitar uma apreciação do real, mas o Brasil deve agir para controlar a alta da moeda, para não perder competitividade no mercado, já que outras economias estão tomando medidas semelhantes.

 

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