Davos/Economia

Em Davos, Brasil é criticado sobre Direitos Humanos

O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, durante reunião em Davos
O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, durante reunião em Davos Reuters

O professor Ricardo Hausmann, da Universidade de Harvard, acusou o ex-presidente Lula da Silva de se aliar a ditadores e reprovou o que chamou de "silêncios" do governo brasileiro, citando como exemplos alguns acontecimentos internacionais. 

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Deborah Berlinck, em participação especial para a RFI

Intocável no plano econômico, onde o país bate recordes de elogios, o Brasil acabou sendo visado nesta sexta-feira durante um debate no Fórum Econômico Mundial de Davos no seu ponto mais sensível: direitos humanos. Na plateia, o economista venezuelano Ricardo Hausmann, da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, levantou-se e não mediu palavras. Ele bateu duro ao dizer que o Brasil de Lula se aliou a ditadores e aplicou dois pesos e duas medidas na política externa. Ser um ator importante no cenário internacional segundo o economista de Harvard, requer responsabilidade.

Deborah Berlink especial para a RFI

O Brasil tem silenciado em relação a tratados democráticos internacionais, disse o economista. Hausmann também detalhou para a plateia o que chamou de silêncios. Disse que o Brasil ficou calado quando a Venezuela de Hugo Chavez abrigou membros do grupo terrorista das FARC da Colômbia, mas protestou quando a Colômbia fechou um acordo militar com os Estados Unidos. Ele também citou o silêncio brasileiro no caso dos grevistas de fome em Cuba e suas ligações com o líder do regime iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, também foi duro na resposta. Disse que, em certas ocasiões, é melhor o silêncio do que o confronto para obter um objetivo. Lembrou que a nova presidente foi presa e torturada durante a ditadura, e que o Brasil nunca deixou de defender direitos humanos.
 

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