Comércio global

Países querem concluir Rodada de Doha até julho

O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, representou o Brasil na reunião da OMC, em Davos.
O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, representou o Brasil na reunião da OMC, em Davos. brasil.gov.br

Em reunião da Organização Mundial do Comércio, durante o Fórum Econômico de Davos, trinta nações, entre elas, o Brasil, se comprometeram a relançar a Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial e obter um acordo até a metade deste ano. As negociações começaram há dez anos e estavam suspensas desde 2006.  

Publicidade

O comissário europeu para o Comércio, Karel De Gucht, deu a notícia da retomada da Rodada de Doha no final da reunião, explicando que novos projetos de textos devem ser apresentados no mês de março. O objetivo é que, em abril, os textos para as negociações estejam terminados para ser aberta uma discussão tendo em vista a conclusão de um acordo em julho.

O diretor da OMC, Pascal Lamy, demonstrou grande satisfação com a total convergência dos participantes sobre a importância de concluir o acordo neste ano, destinado a abrir as economias mundiais através de milhares de suspensões de taxas alfandegárias para os produtos industriais e drásticas reduções de subsídios agrícolas.

O representante norte-americano do Comércio, Ron Kirk, não compartilhou o otimismo geral, mostrando-se reticente quanto ao calendário. No entanto, Kirk reconheceu a existência de um sentimento de urgência e prometeu a cooperação ativa dos Estados Unidos.

Durante a reunião, os países envolvidos na Rodada, inclusive Brasil e Índia, mostraram-se positivos. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota, não deixou de mandar o recado: "Aqueles que querem mais, também deveriam pagar mais". Uma alusão aos americanos, que reclamam um esforço suplementar dos países emergentes sem querer abrir mão dos seus subsídios internos.

Retomada histórica

As declarações deste sábado representam uma esperança para o sucesso da complexa Rodada, iniciada em 2001 em Doha, capital do Qatar, para tentar liberalizar o comércio global.

Durante dez anos, a tentativa trouxe à superfície as profundas divergências entre os países ricos e os emergentes. Em julho de 2006 as negociações foram suspensas devido ao total desentendimento entre as nações envolvidas, principalmente sobre os subsídios agrícolas.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.