FMI

Corrida para direção do FMI entra na reta final

A ministra francesa visita neste sábado a Arabia Saudita e, no domingo, o Egito, em mais uma escala para tentar o apoio à sua candidatura para a direção do FMI.
A ministra francesa visita neste sábado a Arabia Saudita e, no domingo, o Egito, em mais uma escala para tentar o apoio à sua candidatura para a direção do FMI. Reuters

A corrida para a direção do Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou em sua fase final com o fim do prazo para a apresentação de candidaturas, encerrado à meia-noite desta sexta-feira. A ministra fracesa da Economia, Christine Lagarde, esteve neste sábado na Arábia Saudita e, neste domingo, viaja para o Egito, em mais uma escala para obter apoio à sua candidatura.

Publicidade

Até o final da tarde deste sábado, somente dois candidatos continuavam no páreo, a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, considerada favorita, e o diretor do Banco Central mexicano, Augustin Carstens. O terceiro candidato declarado, o diretor do Banco Central do Cazaquistão, Grigori Martchenko, acabou renunciando à disputa.

Christine Lagarde e Augustin Carstens vão disputar o voto dos 24 membros do Conselho de Administração do Fundo. A ministra francesa já tem o apoio declarado dos países europeus, o que significa, na prática, 7 dos 24 votos no Conselho do FMI, ou seja, 28,10% do total dos votos, de acordo com o peso de cada país.

Mas, apesar de favorita, Lagarde não tem a vitória garantida. Ela precisa convencer os Estados Unidos, que sozinho detém 17% dos votos, e os países emergentes que reclamam mais voz junto ao FMI e o fim do critério geográfico para direção do Fundo. Um acordo informal selado com os Estados Unidos garante que a direção do FMI seja sempre ocupada por um europeu e que a direção do Banco Mundial, por um norte-americano.

Em uma verdadeira operação sedução, a ministra francesa já visitou o Brasil, Índia e China e chega, neste sábado, à Arábia Saudita, antes de seguir para o Egito. O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre a questão, mas segundo informações publicadas neste sábado pelo jornal Estado de São Paulo, o Brasil teria decidido apoiar oficialmente a ministra francesa.

Segundo o jornal, interlocutores da presidente Dilma Rousseff afirmaram que "Lagarde foi a candidata ao cargo que mais agradou ao Brasil, porque ela mostrou que os processos de reforma vão continuar e prometeu abrir espaço para os emergentes".

Os Estados Unidos também não se declararam oficialmente por nenhuma candidatura, mas a secretária de estado norte-americana, Hillary CLinton, estimou, a título pessoal, que Christine Lagarde faria uma «excelente diretora » do FMI. Ontem, a Africa se pronunciou pela francesa e a Rússia deve fazer o mesmo, já que o candidato do Cazaquistão abandonou a disputa.

Já o mexicano Augustin Carstens tem o apoio declarado do México, que tem um peso de 4,66% no total dos votos no FMI, e de países latino-americanos como a Colômbia, Venezuela, Bolívia e Uruguai, que não votam no Conselho do Fundo.

Perfis

Christine Lagarde é, desde junho de 2007, ministra da Economia francesa. Em 2009, em meio a crise financeira mundial, foi eleita, pelo jornal Financial Times, "melhor ministra de Finanças da zona euro".

Advogada de formação, foi a primeira mulher a dirigir o prestigioso escritório internacional de advocacia Baker & McKenzie. Sob a presidência francesa do G20, Lagarde se destacou nas cúpulas internacionais por sua capacidade de diplomacia, gestão e comunicação.

Sua candidatura tem, porém, como pontos negativos, o fato de não ter formação específica em economia e de nunca ter trabalhado junto à nenhuma organização internacional, um dos critérios avaliados para a candidatura ao FMI.

Alguns analistas norte-americanos também temem que a gestão da crise da dívida na Europa seja menos objetiva caso o FMI seja dirigido por um europeu.

Já o mexicano Augustin Carstens, presidente do Banco Central do México, tem bastante experiência em organizações internacionais, além de conhecer o funcionamento do FMI, pois, em 2003, ocupou o terceiro posto mais importante do Fundo.

É, porém, considerado por alguns como um "chicago boy", ou seja, um economista liberal formado pela escola de Chicago. Suas tendências liberais podem lhe custar o apoio de países como o Chile, Argentina e India.

 

 

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.