Agricultura

Países do G20 divergem sobre acordo em Paris

O ministro francês da Agricultura, Bruno Le Maire, estima que as divergências são muitas dentro do G20.
O ministro francês da Agricultura, Bruno Le Maire, estima que as divergências são muitas dentro do G20. Reuters/J.Naegelen

Os ministros da Agricultura das 20 maiores potências mundiais se reúnem a partir desta quarta-feira, em Paris, para tentar chegar a um acordo para reduzir a volatilidade dos preços dos alimentos e melhorar a segurança alimentar no mundo. Os ministros brasileiros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, e do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, participam do evento na capital francesa. 

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O projeto de declaração final, que está atualmente sobre a mesa de negociações, propõe mais transparência no controle dos estoques globais de alimentos, maior regulação do mercado financeiro de commodities e restrições a intervenções unilaterais no mercado.

Uma das principais propostas é a criação de um banco de dados com informações globais sobre estoques e produção para dar mais transparência ao mercado.

O mecanismo, batizado de Sistema de Informação dos Mercados Agrícolas, seria sediado na FAO, a agência das Nações Unidas para Agricultura a Alimentação, em Roma.

Mas o ministro francês da Agricultura, Bruno Le Maire, já estimou que as divergências no G20 são importantes e que um consenso não será fácil.

Em um discurso realizado na semana passada, em Paris, Le Maire disse que países como a China e a Índia se opõem à proposta, pois consideram que manter os dados em sigilo é questão de segurança nacional.

Outra divergência é sobre a proposta de regulação do mercado de futuros de commodities para limitar a especulação, uma das prioridades da presidência francesa do G20.

A França, que descartou que pretenda regular o preço dos alimentos, defende medidas como restringir a posição dos participantes no mercado, regular negociações fora das bolsas e publicar dados sobre os tipos de investidores que atuam nos mercados.

Nesse caso as divergências viriam, segundo Bruno Le Maire, de países como o Brasil e a Argentina, que "se mostraram reticentes quanto à vontade de lutar contra a volatilidade dos preços, alegando que os preços altos beneficiavam seus produtores".

Outro ponto de desacordo é a proposta de que os países do G20 limitem iniciativas unilterais no mercado, a exemplo do que fez a Rússia. No ano passado, após um período de seca, Moscou suspendeu suas exportações de trigo, contribuindo para o aumento do preço no mercado internacional.

O G20 Agricultura tem início nesta quarta-feira, mas a reunião ministerial do grupo somente ocorre na manhã da quinta-feira. Os ministros brasileiros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, e do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, participam da ministerial em Paris.
 

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