G20/Agricultura

Ministros do G20 se contentam com um acordo mínimo, diz imprensa

Reunião dos ministros da Agricultura do G20 nesta quinta-feira (23).
Reunião dos ministros da Agricultura do G20 nesta quinta-feira (23). Reuters

O diário Les Echos antecipa que o acordo que será anunciado hoje ao final do encontro de ministros da Agricultura do G20, em Paris, será articulado em torno de uma pauta mínima, distante de satisfazer as expectativas de reforçar a segurança alimentar.  

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Os jornais franceses desta quinta-feira, 23 de junho, comentam que pela primeira vez, como quis o presidente Nicolas Sarkozy, a agricultura está no centro das preocupações dos países mais industrializados do mundo, com a realização da reunião de ministros do G20 em Paris. No entanto, como destaca Les Echos, as divergências na área são profundas, movidas por interesses contraditórios das potências emergentes e das nações mais industrializadas.

Os que militaram pela maior regulamentação dos mercados financeiros vão ficar decepcionados, escreve Les Echos, sublinhando que a palavra especulação não deverá constar do documento final. O jornal nota um pequeno avanço: caberá aos ministros da Economia e não aos da Agricultura supervisionar as operações com produtos agrícolas nas bolsas internacionais.

A questão da composição de estoques de emergência, para prevenir crises alimentares, também deverá ser nivelada por baixo. Em nenhuma circunstância, os estoques públicos poderão ser usados para fazer baixar os preços em caso de movimentos especulativos, explica Les Echos. Os países do G20 devem apenas se comprometer a formar reservas humanitárias nas regiões do mundo mais sensíveis à escassez de alimentos.

Le Figaro, assim como Les Echos, admite que o único ponto de consenso é a criação de um banco de dados internacional com informações sobre o mercado agrícola, uma informação divulgada logo na abertura do encontro pelo ministro brasileiro da Agricultura, Wagner Rossi.

Em entrevista ao jornal comunista L'Humanité, o relator da ONU para o direito à alimentação, Olivier de Schutter, confirma sua decepção com o G20, afirmando que esperava que o grupo fosse mais longe, criando, por exemplo, reservas capazes de baixar os preços dos alimentos.
 

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