FMI/Lagarde

Lagarde diz que não vai proteger os europeus caso dirija o FMI

A Ministra da Economia, Christine Lagarde, passou por sabatina no FMI.
A Ministra da Economia, Christine Lagarde, passou por sabatina no FMI. Reuters

A ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, foi sabatinada pelo comitê executivo do Fundo Monetário Internacional. Ela garantiu durante a entrevista que se assumir a direção-geral do Fundo, não vai dar ser complacente com as economias europeias em crise. A direção do FMI vai se reunir no próximo dia 28 para discutir os pontos fortes dos candidatos ao cargo.

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A ministra da economia da França, Christine Lagarde, foi entrevistada pelos 24 membros da diretoria-executiva do FMI nesta quinta-feira. Ela defendeu sua experiência e falou com orgulho do papel-chave que teve na negociação do pacote econômico na zona do euro e também nas negociações de programas de apoio para Grécia, Irlanda e Portugal.

Depois da sabatina, que durou pouco mais de três horas, ela falou brevemente com jornalistas e defendeu a reforma da instituição, dizendo que o FMI é capaz de se adaptar e que vai naturalmente ter que se ajustar ao novo cenário mundial. “Eu acredito que o Fundo deveria ser mais responsável, certamente mais efetivo e mais legítimo”, defendeu.

Mesmo se o FMI é tradicionalmente dirigido por um europeu, o fato de que vários países do bloco beneficiem da ajuda do Fundo atualmente tem sido motivo de críticas. Mas Christine Lagarde se defende de qualquer conflito de interesses e diz que, caso seja eleita, não será indulgente com as economias do velho continente. “Na hora de decidir sobre uma possível ajuda à um membro da zona euro, eu terei apenas uma coisa em mente : garantir a coerência total com a missão do Fundo”, explicou a francesa.

Lagarde aproveitou a passagem por Washington para fazer sua campanha junto a representantes de países chaves no FMI e também se encontrou com o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner. O norte-americano repetiu que a francesa é uma candidata excepcionalmente talentosa para liderar o FMI.

No entanto, os Estados Unidos têm mantido distância do jogo político do processo de sucessão e o apoio americano ainda não foi oficializado. Ao mesmo tempo que têm defendido mais representatividade para as economias emergentes e uma reforma de governança na instituição, os norte-americanos também querem garantir a posição número dois no Fundo e a de número um no Banco Mundial, que são mantidas graças ao acordo tradicional com os europeus.

Se Lagarde, que já tem o respaldo da União Européia com quase um terço dos votos, conseguir também o apoio dos Estados Unidos, que controlam a maioria dos votos - cerca de 17% -, ela teria quase a metade do escrutínio. O outro candidato, o presidente do Banco Central do México, Agustin Carstens, se apresentou à diretoria-executiva do FMI na terça-feira. Na semana passada ele reconheceu que tem poucas chances de derrotar a francesa.

Depois de ouvir os dois candidatos, a diretoria-executiva do Fundo vai se reunir no próximo dia 28 para discutir os pontos fortes de cada um. O diretor-gerente do FMI vai ser eleito por consenso e o anúncio deve acontecer no dia 30 deste mês.

 

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