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Economia

Possibilidade de Hollande vencer eleições espanta ricos franceses

Áudio 04:17
Ricos aceleraram saída da França já no governo Sarkozy, que aumentou impostos para quem ganha altos salários.
Ricos aceleraram saída da França já no governo Sarkozy, que aumentou impostos para quem ganha altos salários. © RFI
Por: Lúcia Müzell
7 min

Em tempos de crise econômica e austeridade na França, os ricos se tornaram um dos alvos favoritos desta campanha presidencial, sobretudo da esquerda. O candidato socialista, François Hollande, provocou a ira dos mais afortunados ao dizer com todas as letras que "não gosta dos ricos". A procura por troca de domicílio fiscal é cada vez maior.  

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Como uma das soluções para aumentar a arrecadação na França, logo no início da campanha o socialista prometeu aumentar de 45% para 75% a alíquota de impostos para os que ganham mais de 1 milhão de euros por mês. O anúncio causou preocupação nos mercados e reações dos milionários franceses, que cada vez mais se organizam para deixar o país em busca de uma menor tributação nos países vizinhos. Bélgica, Suíça, Mônaco e Reino Unicos são os mais atraentes.

Os chamados exilados fiscais fogem de três principais mordidas do fisco francês sobre os altos salários: o imposto sobre fortuna, o imposto sobre renda de capitais e o imposto sobre venda imobiliária. A advogada Valérie Harnois Mussard, especialista em direito fiscal do escritório Fidal, constata o aumento da procura de clientes ricos sobre a tributação no exterior:

"Houve um aumento muito claro, há várias semanas. Como houve diversos anúncios fiscais, seja da esquerda quanto da direita, as pessoas se questionam cada vez mais sobre, eventualmente, ir embora", afirma. "Nós sentimos uma preocupação se Hollande vencer. As pessoas podem imaginar que se o Sarkozy for reeleito, ele vai acalmar a pressão sobre os tributos porque ele já fez bastante."

François Micheloud, diretor do escritório Micheloud e Companhia, de Lausanne, na Suíça, recebeu três vezes mais clientes franceses no último um ano e meio. A proximidade geográfica, a língua a a cultura do país fazem com que os ricos franceses tenham cada vez menos receio de fazer as malas e passar a fronteira, ainda mais porque na Suíça a economia vai bem melhor do que na França.

"Uma coisa interessante é que na Suíça nós temos uma situação fiscal muito estável. O Estado suíço teve um excedente orçamentário no ano passado, ou seja, não teve déficit, e sim sobrou orçamento. No futuro, ninguém espera por aumento de impostos", explica.

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