OMC

União Europeia pode ser decisiva na escolha do novo diretor da OMC

Herminio Blanco (esq) e Roberto Azevedo (dir),  candidatos mexicano e brasileiro ao comando da Organização Mundial de Comércio.
Herminio Blanco (esq) e Roberto Azevedo (dir), candidatos mexicano e brasileiro ao comando da Organização Mundial de Comércio. REUTERS/Edgard Garrido Flickr/Ana de Oliveira

O novo-diretor geral da OMC, a Organização Mundial do Comércio, pode ser anunciado já nesta terça-feira. O brasileiro Roberto Azevedo e o mexicano Herminio Blanco são os finalistas da disputa iniciada há quatro meses. E os dois se dizem confiantes na vitória. A União Europeia se reúne hoje para definir o apoio do bloco. O anúncio oficial deve acontecer nesta quarta-feira.

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Brasil e México dizem estar otimistas com o resultado da votação que irá definir o novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Fontes da diplomacia mexicana dizem que não querem cantar a vitória de Herminio Blanco antes da hora, mas afirmam que estão "muito, muito confiantes". Com 62 anos, Blanco tem um histórico de hábil negociador e ajudou a costurar o Nafta, acordo de livre comércio entre o México, os Estados Unidos e o Canadá.

Do lado brasileiro, o Itamaraty também destaca as qualidades do candidato Roberto Azevedo. O embaixador  representa o país na OMC desde 2008 e tem a fama de ser um conciliador. Nos bastidores da votação, circulam os rumores que Azevedo, 55, já teria 79 votos e que poderia receber entre 106 e 111 votos. Para ser eleito, são necessários 80.

O fiel da balança, porém, pode ser a União Europeia que ainda permanece dividida. Segundo a imprensa suíça, uma reunião em Bruxelas hoje deve definir o apoio do bloco. Os países do sul da Europa, como Espanha e Portugal, tenderiam a apoiar o candidato brasileiro. Já um grupo liderado pelo Reino Unido é favorável ao mexicano. Os mexicanos, aliás, dizem que têm 99% de certeza que receberão o voto europeu.

Duelo de emergentes

Há mais de quatro meses foi iniciado o processo de seleção para o sucessor do francês Pascal Lamy. Aspectos como liderança, visões sobre o comércio internacional e relevância do país do candidato no contexto regional são elementos importantes. A América Latina -ao lado da África- é uma das duas regiões que nunca tiveram um repsesentante no mais alto posto da OMC. Sendo os dois candidatos latino-americanos, o que deve pesar na escolha, será a trajetória profissional.

O jornal francês Les Echos avalia, por exemplo, que o NAFTA, negociado por Blanco, é um modelo de abertura econômica, o que pode ser uma vantagem para o mexicano. Já o Brasil é visto como um pouco mais protecionista e com uma tendência a privilegiar a demanda interna em detrimento do comércio exterior.

O ICTSD (International Centre for Trade and Sustainable Development), instituto de estudo de comércio internacional sediado em Genebra, afirma em um artigo que a escolha do nome certo para comandar a OMC é crucial neste momento em que as negociações multilaterais da organização estão praticamente estagnadas.

Mais: o próximo diretor-geral assumirá o cargo em setembro, faltando apenas 3 meses para a cúpula da OMC que acontece em Bali, na Indonésia. “Questões sobre como superar o impasse da Rodada Doha e negociações sobre como - e se - a OMC deve integrar ‘novos assuntos’ [à agenda] como segurança alimentar e mudanças climáticas”.

 

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