Economia/ salários

Acionistas de multinacional francesa votarão salários de dirigentes

Maurice Lévy durante uma conferencia de impressa da Reuters em Paris, maio de 2008
Maurice Lévy durante uma conferencia de impressa da Reuters em Paris, maio de 2008 Reuters/Mal Langsdon

O grupo de publicidade francês Publicis vai começar a submeter o valor dos salários dos altos dirigentes à votação pelos acionistas, transformando-se na primeira grande empresa francesa a adotar este tipo de medida. Na sexta-feira, o governo do país anunciou que abandona o projeto de criação de uma lei para estipular um teto dos salários dos diretores de empresas privadas, causando desconforto na esquerda do país.

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Esta é a primeira vez que uma companhia francesa realiza este tipo de votação, que será feita durante a assembleia-geral da Publicis, nesta quarta-feira. O mecanismo, comum no Reino Unido, é conhecido como “say on pay” – um pedido para os acionistas se pronunciarem (“say”) sobre a remuneração da diretoria (“on pay”). Este voto está na pauta da convocação da próxima reunião do grupo francês, cujo diretor-presidente, Maurice Levy, é dono de uma das maiores fortunas do país.

A Publicis é o terceito maior grupo de comunicação do mundo. De acordo com a convocação da reunião, a iniciativa vai permitir à Publicis “se aproximar das práticas em vigor em vários países, principalmente anglosaxões, e que já são usadas pelos [seus] principais concorrentes”. Este é o caso das agências americanas Omnicom e Interpublic, além da britânica WPP.

No ano passado, a divulgação de que Levy receberia um bônus de 16 milhões de euros, além do seu salário, provocou polêmica na França, em plena campanha eleitoral e enquanto o país enfrenta uma grave crise econômica. A regulação dos salários dos dirigentes estava entre as promessas de campanha do presidente socialista François Hollande.

Porém, na sexta-feira, o ministro da Economia, Pierre Moscovici, anunciou que o governo prefere renunciar ao projeto de aplicação de uma lei sobre o tema, e vai incentivar a “auto-regulação” do setor. Um texto prevendo uma alíquota de 75% sobre os salários superiores a 1 milhão de euros ao ano, entretanto, deverá ser apresentado ao Parlamento no plano de orçamento para 2014.

A decisão sobre a remuneração dos patrões foi alvo de críticas da esquerda antiliberal e da extrema-direita. Já a direita conservadora parabenizou os socialistas pelo anúncio.
 

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