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Economia

Moedas virtuais se valorizam e viram alternativa de investimento

Áudio 04:24
Primeiro caixa eletrônico da moeda virtual bitcoin foi inaugurado na semana passada em Vancouver (Canadá).
Primeiro caixa eletrônico da moeda virtual bitcoin foi inaugurado na semana passada em Vancouver (Canadá). REUTERS/Andy Clark
Por: Lúcia Müzell
8 min

Depois do desenvolvimento das compras pela internet, agora as moedas virtuais começam pouco a pouco a ganhar a confiança dos consumidores. O “bitcoin”, a principal moeda criada na rede, acaba de completar cinco anos de atividade e tem registrado uma forte valorização – um norueguês que conseguiu comprar uma casa graças ao aumento do valor da moeda que o diga.

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Em 2009, o estudante comprou o equivalente a 26 dólares em bitcoins, que acabaram esquecidos em algum lugar do seu computador. Mas neste ano, ao ler reportagens sobre a alta da moeda, ele checou sua conta e descobriu que o dinheiro tinha se transformado em 885 mil dólares.

A moeda funciona à margem dos sistemas monetários convencionais, sem taxas e ao abrigo de qualquer regulamentação ou pressão inflacionária, já que o limite pré-definido de emissões é de 21 milhões bitcoins. Estes são os principais atrativos de quem escolhe participar. “Ele é uma experiência com potencial para mudar o fluxo do dinheiro global e a forma como as pessoas lidam com o dinheiro, ao dependermos mais das instituições financeiras ou do Estado”, relata Rodrigo Batista, sócio da Mercado Bitcoins, que levou o sistema para o Brasil.

A rede de estabelecimentos que aceita este tipo de moeda alternativa ainda é reduzida no país. Batista observa que a grande maioria dos adeptos do novo modelo são investidores. “O interesse hoje é mais como uma forma de investimento, já que o valor do bitcoins tem crescido regularmente. Mas as pessoas precisam estudar bastante antes de entrar no sistema e estar ciente dos riscos.”

A falta de regulamentação também faz com que os bitcoins sejam utilizados para o crime, como venda de drogas ou lavagem de dinheiro. A conquista da credibilidade e da confiança é a chave para a moeda virtual atrair cada vez mais adeptos, na opinião do economista Gilson Schwarz, pesquisador do Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da USP. “Há um esgotamento dos estados nacionais, dos sistemas tributários, da confiança que as pessoas têm na própria máquina do poder público, que deveria cuidar para que não houvesse fraude”, afirma. “Isso leva as pessoas a pensarem que, quem sabe, uma moeda que não é controlada por um estado pode estimular um sistema de transações comerciais e financeiras que não esteja exposto a esta aliança entre os governos liberais demais e os sistemas de pagamento, que não são devidamente controlados”, explica.

O pesquisador considera que estas alternativas devem conquistar cada vez mais adeptos nos próximos anos, mas o sistema monetário convencional não será abandonado tão cedo. “Substituir o modelo atual é mais difícil pela importância dos governos e dos Estados. Este jeito de construir confiança, portanto de emitir dinheiro, não está condenado a desaparecer rapidamente.”

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