Economia

Apesar da crise, empresas brasileiras seguem investindo na França

Áudio 03:39
Campanha "Why Say Oui to France" (Porque dizer Sim à França), criada pela agência francesa de investimentos que tenta atrair capital estrangeiro para o país.
Campanha "Why Say Oui to France" (Porque dizer Sim à França), criada pela agência francesa de investimentos que tenta atrair capital estrangeiro para o país.

A agência francesa para investimentos internacionais tem uma tarefa nada fácil em tempos de crise econômica: convencer potenciais empresários estrangeiros de que o país é um bom lugar para que desenvolvam os seus projetos. Ontem foi a vez dos brasileiros participarem de uma série de encontros que a agência realiza anualmente com investidores de diferentes países apresentando os números da economia francesa que, apesar de tudo, ainda compõem um cenário atraente se comparados aos de seus pares europeus.

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A cada semana, 12 novos projetos de investimento estrangeiro desembarcam no país. Hoje são de cerca de 20 mil empresas de fora. Nas relações com o Brasil, os números ainda são pequenos, mas desde que a agência francesa abriu um escritório no país, há 3 anos, a quantidade de projetos de investimentos brasileiros duplicou. Hoje existem 20 grupos brasileiros instalados no país, empregando 1300 pessoas. Na Europa, a França só perde para a Inglaterra em quantidade de investimentos brasileiros. O presidente da Embraer na Europa Luiz Fernando Fuchs faz uma avaliação do impacto da crise para esta que é a maior brasileira atuando na França: "Para nós, nos últimos três ou quatro anos não posso dizer que houve diferença. A Europa diminuiu a compra de novas aeronaves, mas em compensação o Oriente Médio aumentou, a África tem possiblidades cada vez maiores, Ásia Central, Ucrânia, Casaquistão. Não podemos notar a diferença."

No encontro com os empresários deste ano, um dos focos foi explicar o impacto de uma pequena reforma na lei do trabalho que está em vigor na França desde junho. A lei é um pequeno passo para um país que, segundo sucessivos relatórios do FMI, vive já há 10 anos uma grave crise de perda de competitividade para a vizinha Alemanha. A recomendação do FMI para que o país faça uma profunda reforma do mercado de trabalho e corte despesas encontra pouco eco no modelo econômico francês.

Para o brasileiro Diogo Gomes, gerente da empresa de softwares paulista FSMAX, que prepara um grande investimento na França em 2014, o país ainda oferece um bom ambiente de negócios: "A gente vê a França, neste turbilhão desde 2008, como um país estável, que não cresceu nem diminuiu. Um país que tem uma velocidade e um dinamismo governamental muito grande para buscar investimento, gerar mão de obra e conhecimento. Esse movimento foi o que fez com que a gente pensasse muito e tomasse a decisão de vir pra França.". Para Diogo, a qualificação da mão de obra local compensa o custo de investimento: "Aqui você tem um desconto de TVA, um investimento que pode ser a fundo perdido, um banco de investimento nos mesmos modelos do Brasil. Então você começa a ver que o Custo França não é tão alto, chega a ficar equiparado ao Custo Brasil ou talvez um pouco menos".

Desde 2011, a França trabalha um forte plano de marketing para atrair investidores estrangeiros, tendo a inovação como palavra-chave. A estratégia apresenta, através de conferências e vídeos na internet, alguns dados atraentes do mercado de trabalho francês. Por exemplo, o de que 43% dos franceses possuem ensino superior. O trabalhador francês também se encontra em quarto lugar no ranking europeu de produtividade por hora de serviço. Um dos vídeos da campanha, bem humorado, ainda pede ao investidor: "tente apagar a ideia de um país em preto e branco, onde se fuma muito e toma-se pouco banho".

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