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G20/Austrália

G20 chega a consenso sobre crescimento e evasão fiscal, mas não sobre Ucrânia

Os diretores de bancos centrais e ministros da Economia reunidos para a cúpula do G20 posaram neste sábado (22) para uma foto diante da ponte do porto de Sidney.
Os diretores de bancos centrais e ministros da Economia reunidos para a cúpula do G20 posaram neste sábado (22) para uma foto diante da ponte do porto de Sidney.
Texto por: RFI
4 min

Em seu comunicado final, os países do G20 reunidos neste fim de semana em Sidney enfatizaram a necessidade de estimular o crescimento, tentaram acalmar as preocupações das nações emergentes e reforçaram seus esforços contra a evasão fiscal. Mas a situação da Ucrânia, sobre a qual os ocidentais e Moscou têm opiniões divergentes, não é mencionada no documento.

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Os países membros do G20, que representam cerca de 85% da economia mundial, estabeleceram o objetivo de aumentar o crescimento em dois pontos percentuais suplementares até 2018, "desenvolvendo políticas ambiciosas mas realistas".

"Isso representa mais de 2 trilhões de dólares em termos reais e permitirá a criação de numerosos empregos", enfatizaram os ministros das Finanças e os dirigentes de bancos centrais durante essa reunião preparatória para a cúpula dos chefes de Estado, que acontece em novembro em Brisbane, também na Austrália.

Para a diretora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, esse objetivo "pode ser atingido, e talvez ultrapassado", com a condição de que "sejam feitas as reformas identificadas" em cada um dos países implicados.

"Isso permite medir o caminho percorrido" desde a crise financeira, notou o ministro francês, Pierre Moscovici. "Em 2010, nós tínhamos nos comprometido a reduzir os déficits, em 2012 discutimos sobre a sobrevivência da zona do euro", lembrou ele. "Hoje, falamos de crescimento", completou.

Emergentes

Para tranquilizar os países emergentes, entre eles o Brasil, que se preocupam com os efeitos colaterais da mudança de política cambial do banco central americano, os bancos centrais do G20 renovaram seu compromisso de "calibrar com atenção e comunicar claramente" sobre sua política cambial. Eles ficarão atentos "ao impacto" de suas decisões "sobre a economia mundial".

O fim progressivo do programa de apoio da Reserva Federal americana provocou um início de repatriamento de capitais dos países emergentes para os Estados Unidos, provocando uma queda das moedas desses países.

O ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, não participou da cúpula. Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, compareceu à reunião em Sidney.

Evasão fiscal

O G20 também entrou em uma nova fase na luta contra a evasão fiscal ao aprovar um norma de troca automática de dados fiscais concebida pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), e que mais de 42 países se comprometeram a aplicar.

Essa norma vai "reforçar a cooperação fiscal internacional, colocar os governos em pé de igualdade na tentativa de proteger a integridade de seu sistema de impostos e permitir a luta contra a evasão fiscal", segundo o secretário geral da entidade, Angel Gurria.

A aplicação dessa norma, que vai mais longe do que as cooperações baseadas na boa vontade dos diferentes países implicados, deve começar no final de 2015.

Além disso, a regulação do mercado financeiro continua na ordem do dia do G20.

Se foi possível chegar a um consenso sobre todos os temas citados, em compensação a discussão sobre a Ucrânia, que se impôs neste domingo (23), não permitiu encontrar uma posição comum. A crise ucraniana não é mencionada no comunicado final.

Mas "vários países concordaram em declarar seu apoio durante as conferências nacionais de fim do G20", "em termos idênticos", declarou Pierre Moscovici. Ele não quis dizer quais países decidiram não participar dessa declaração quase comum, mas a Rússia certamente é um deles.
 

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