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Economia

Gigantes americanas tomam conta de sites de reservas pela internet

Áudio 03:55
Companhia americana Priceline comprou recentemente o site de reservas de restaurantes OpenTable.
Companhia americana Priceline comprou recentemente o site de reservas de restaurantes OpenTable. REUTERS/Chris Helgren
Por: Lúcia Müzell
9 min

O setor de reservas pela internet está caindo cada vez mais nas mãos de um pequeno número de companhias americanas, que atravessam o oceano em busca de oportunidades de negócios nos outros continentes, principalmente na Europa. Para ampliar a gama de serviços, o alvo mais recente agora são os sites de reservas de restaurantes, que se somam a ofertas de voos, hotéis e aluguel de carro.

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Recentemente, a gigante americana Princeline, dona do famoso site de hotéis Booking.com e do comparador de passagens aéreas Kayak, comprou o OpenTable por 2,6 milhões de dólares. Em maio, foram o britânico The Fork e o francês La Fourchette, especializados em restaurantes, que passaram para o controle do TripAdvisor, o maior site do mundo em dicas de viagens. A transação é estimada em 150 milhões de dólares.

Na Europa, só resta uma saída para não ser engolido pelos americanos: usar a mesma estratégia e se expandir. O empresário Jean-Pierre Nadir, presidente do Easyvoyages, fundado na França e presente em cinco países, iniciou com um comparador de voos, ampliou para quartos de hotéis e uma vasta gama de férias e agora se prepara para oferecer reservas nas mesas mais disputadas.

“Os grandes nomes da internet atacam todas as brechas e todos os setores. Eu estou em um destes setores, as viagens, que são extremamente disputadas hoje”, constata. “A nossa maior dificuldade é resistir a essas empresas, que têm ao mesmo tempo um enorme poder financeiro e uma gama de clientes fortíssima, além de terem um banco de dados gigantesco, que eles cruzam o tempo inteiro. No final das contas, é muito difícil de concorrer com eles. Portanto hoje a regra é ou crescer, ou morrer.”

Jean-Pierre Nadir afirma que o assédio das gigantes americanas é constante. Mas ele promete resistir até quando for capaz. “Já conversamos várias vezes. Mas a minha intenção é fazer alianças estratégicas. Eu preferiria ficar num ambiente europeu do que americano”, observa. “Mas será que eu terei essa escolha? Não sei de nada. É fácil dizer, mas difícil fazer.

O Google vem aí

Além das companhias do próprio setor, um concorrente assombra todas as empresas, inclusive as maiores: o Google. Desde que a ferramenta de buscas adquiriu o guia de restaurantes Zagat, o setor teme que o site mais usado do planeta avance sobre o turismo – uma empreitada que poderia ser fatal para os menores.

“Assim que aparece uma empresa de qualidade, o Google já vem atrás e compra. Assim que ele começa a atuar em um setor, se torna um perigo imediatamente, porque eles têm um poder inacreditável”, afirma. “Eles têm o site de buscas, com o qual eles direcionam o tráfico. Na Europa, 97% do trafico é gerenciado pelo Google.”

Expansão no Brasil

No Brasil, o uso dos sites de turismo na internet está em plena expansão. Mas a maioria dos turistas ainda recorre às agências tradicionais, conforme Leonel Rossi Jr., vice-presidente de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV). “Aqui, os sites ainda não têm a importância que têm nos Estados Unidos e na Europa. A maior parte da procura dos clientes é por operadoras e agências de viagens”, diz. “Mas já tem algumas empresas brasileiras com um certo peso, independentes das internacionais, que estão entrando no mercado brasileiro.”

Ainda não há dados confiáveis sobre as reservas online, conforme o professor Renato Gonzalez de Medeiros, especialista em empreendedorismo no turismo da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele destaca que a sobrevivência na internet depende de investimentos em tecnologia, uma seleção natural dos sites menos desenvolvidos.

Porém o Brasil tem registrado um fenômeno inverso: um dos principais sites se viu obrigado a abrir uma loja física para atender os clientes, uma exigência do público. “Nós temos um movimento migratório que acontece no sentido contrário. O Hotel Urbano, um dos maiores sites de reservas do Brasil, está deixando de ser somente pela internet para abrir lojas físicas”, relata o pesquisador. “O cliente brasileiro ainda sente uma insegurança de fazer negócios pela internet e também demanda uma atenção pessoal”, lembra.

Com o crescimento do setor online, Renato de Medeiros acha que, mais cedo ou mais tarde, o Brasil também não deve escapar da concentração que o setor tem demonstrado no resto do mundo. “É uma tendência mundial que vai com certeza entrar no Brasil. Não tenho a menor dúvida”, destaca.

 

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