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Economia

"Limpeza" na Petrobras é essencial para retomada da credibilidade

Áudio 04:14
A presidente da Petrobras, Maria Graça Foster.
A presidente da Petrobras, Maria Graça Foster. Wikipédia.com
Por: Lúcia Müzell
8 min

Um dos focos da campanha eleitoral no Brasil, os escândalos de corrupção na Petrobras afetam a imagem da empresa junto aos investidores, em uma época em que a preocupação com a transparência dos negócios é cada vez mais valorizada nas grandes companhias internacionais. Para analistas, independentemente do candidato que vencer a presidência da República, será necessária uma "limpeza" na direção da estatal para retomar a credibilidade.

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As perdas nas ações da Petrobras se acumulam – na semana passada, os papéis caíram mais 9%, em quatro dias. Desde 2010, quando a euforia sobre a companhia estava no auge, após a descoberta do pré-sal, a empresa perdeu um terço do seu valor de mercado, hoje estimado em US$ 104 bilhões.

“Os investidores vão tender a olhar a Petrobras com mais cautela. Pode-se até pensar que em todos os países do mundo e todas as grandes empresas têm escândalos, e é verdade. Mas, na Petrobras, temos um problema de dimensão e de saber por quanto tempo isso durou”, afirma o economista Paulo Wrobel, do Instituto de Relações Internacionais da PUC Rio.

Confiança abalada

O especialista em energia lembra que o orçamento original da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, era de cerca de US$ 2 bilhões, mas a obra vai custar 10 vezes mais. “É impossível que essas questões candentes não afetem a relação das empresas, dos investidores e das prestadores de serviços com a Petrobras.”

Para Wrobel, o fim da nomeação de cargos de direção da companhia por indicação política deveria ser o primeiro passo em uma reforma na administração da Petrobras. “Deveria ter uma reformulação geral na diretoria da Petrobras, tentando usar as pessoas capacitadas de dentro da empresa ou até passando a presidência para uma pessoa de fora, que refaça a estrutura de gastos da companhia e possa colocá-la de novo na trilha de uma empresa bem gerida.”

Exageros

O analista de mercado André Perfeito, da Gradual Investimentos, também é contrário à nomeação de diretores por motivação política. Mas para ele, o pessimismo em torno da estatal é “exagerado” - e resultado direto de uma campanha acirrada para a presidência.

“Eu acho que a questão da Petrobras está sendo focada agora por conta de um período eleitoral bastante agressivo. Apesar do pessimismo de alguns colegas, eu vejo tudo isso como um sinal até positivo: estão finalmente 'limpando' a estatal de alguns hábitos deploráveis”, afirma. “A investigação da Policia Federal, juntamente com o Ministério Público, pode trazer uma Petrobras mais forte e melhor daqui para a frente”, afirma.

Perfeito avalia que a percepção dos investidores sobre a companhia tende a se reverter quando os investimentos realizados no pré-sal começarem a dar resultados. “Vai ser difícil resgatar a credibilidade a curto prazo. Mas na medida em que ela voltar a dar lucros e os investimentos ficarem maduros, as pessoas vão começar a olhar com outros olhos para uma empresa que, agora, está sendo objeto de uma disputa política muito pesada, além de um processo de limpeza que vai doer para muita gente.”

Permanência de Graça Foster

Os dois economistas ouvidos pela RFI divergem sobre a permanência de Graça Foster na presidência da companhia. Wrobel avalia que a executiva deve deixar o cargo. “Embora ela seja dos quadros da própria Petrobras, ela também tem problemas. E a relação muito íntima dela com a presidente Dilma faz com que ela perca um pouco desse critério técnico”, sustenta.

Já André Perfeito considera que Foster não deve sair. “Se criou uma ideia de que a Petrobras está podre. Para mim, isso é um exagero que tem a ver com o período eleitoral, e a vontade de muita gente de querer privatizar a Petrobras”, explica.
 

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