Zona do Euro/Crise

Alemanha ignora economistas e diz que seria "loucura" aumentar gasto público

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble (esq.), ao lado do colega francês, Michel Sapin.
O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble (esq.), ao lado do colega francês, Michel Sapin. Reuters

O freio no crescimento da economia da Alemanha está no centro das preocupações das assembleias de outono do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, nesta sexta-feira (10), em Washington. Apesar dos apelos para que Berlim utilize sua margem de manobra aumentando os investimentos, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, disse que seria "loucura" colocar em risco o saneamento das finanças públicas com políticas de estímulo.

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O governo alemão reviu para baixo, nesta sexta-feira, as projeções de crescimento do país. Em vez de 1,4% em 2014 e 1,5% em 2015, a Alemanha só deverá crescer 1,25% nos dois períodos. O Ministério da Economia alemão explicou que as perspectivas de exportação para os próximos meses ficaram mais restritas devido à conjuntura mundial morosa e ao fraco crescimento na zona do euro.

À margem das assembleias do FMI e do Banco Mundial, os ministros do G20, grupo que reúne as vinte maiores economias do planeta, também se encontram para discutir a situação econômica mundial.

"Estaríamos loucos se colocássemos em perigo" a confiança que inspira nos mercados a disciplina orçamentária alemã, declarou Schauble, em Washington. "De qualquer forma, não há muito o que ganhar" em termos de crescimento com um aumento do gasto público, acrescentou o ministro conservador.

Nas últimas semanas, aumentou a pressão para que a Alemanha, primeira economia europeia, invista mais para estimular o crescimento interno e, por consequência, no bloco europeu. Tanto as importações quanto as exportações alemãs recuaram. Mas Berlim segue agarrada ao seu objetivo de conseguir o equilíbrio orçamentário em 2015, o que não acontece desde 1969.

Institutos alemães alertam para erro

Ontem, os quatro maiores institutos de conjuntura alemães denunciaram que essa meta pode ser boa para a imagem do governo, mas "não tem nenhum sentido econômico". Schauble reconheceu que seu país precisa de investimentos, mas não está de acordo que eles sejam financiados com aumento da dívida pública.

O presidente do Banco Central alemão, Jens Weidmann, que participa dos debates em Washington, considerou que os investimentos públicos alemães podem aumentar, mas alertou contra a tentação de abandonar a meta de equilíbrio orçamentário. Ele também se mostrou cético sobre a possibilidade de que investimentos na Alemanha influenciem positivamente o resto da da zona do euro, onde o crescimento está estagnado.

Premiê chinês em Berlim

A chanceler alemã, Angela Merkel, recebe nesta sexta-feira a visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. As duas potências econômicas desenvolveram uma relação comercial particular, que tem superado obstáculos como a questão dos direitos humanos na China e as sanções de Pequim a montadoras alemãs. Nessa visita, devem ser assinados contratos comerciais no valor de €2 bilhões de euros.

A China é o terceiro parceiro comercial da Alemanha e, segundo especialistas, tornou-se o principal interlocutor nas relações diplomáticas com a Europa.

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